Iracema Vale exclui nome de Edson Araújo da bancada do PSB por envolvimento em esquema do INSS
Ao omitir o nome do aliado investigado, presidente da Assembleia tenta blindar o governo e preservar sua imagem

A presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, Iracema Vale (PSB), divulgou nesta quarta-feira (6) uma nota oficial em nome da bancada estadual do PSB para protestar contra a decisão da executiva nacional do partido, que transferiu o comando da sigla no Maranhão para a senadora Ana Paula Lobato. A intenção da nota era demonstrar força e unidade partidária — mas um detalhe chamou atenção: o nome do deputado Edson Araújo (PSB) foi deliberadamente excluído do documento.
A ausência não passou despercebida e tem explicação nos bastidores. Edson Araújo está no centro de um escândalo nacional envolvendo fraudes milionárias no INSS, investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal. De acordo com as investigações, o deputado e seu filho, Wolmer Araújo — atual secretário de Estado da Pesca e Aquicultura no governo Carlos Brandão — são suspeitos de envolvimento em um esquema que teria desviado mais de R$ 5 milhões por meio de uma entidade acusada de intermediar falsos benefícios previdenciários.
A omissão de Edson na nota contrasta com a inclusão do nome de Adelmo Soares, que sequer participou da reunião, mas teve sua posição registrada no texto. Já Edson, mesmo ainda filiado e oficialmente membro da bancada do PSB na Assembleia, foi ignorado.
Nos bastidores, o gesto de Iracema Vale é visto como uma tentativa de afastar um “peso morto” político, evitar danos à própria imagem e blindar o governo Brandão, que ainda mantém Wolmer Araújo como secretário, apesar de também ser investigado. A exclusão estratégica levanta a pergunta: se o pai está sendo “cancelado”, por que o filho segue no cargo, gerindo orçamento público?
A nota da bancada do PSB, articulada diretamente no gabinete da presidente da Assembleia, escancara um jogo político movido por conveniência e autoproteção. Mas tentar varrer a crise para debaixo do tapete não apaga o fato de que o escândalo atinge diretamente o governo estadual.
A população está atenta — e as instituições de controle também. Porque onde há fumaça, há fogo. E neste caso, o cheiro de queimado já ultrapassa os limites do Palácio dos Leões.



