POLÍCIA
Violência no Maranhão avança em 2023 no governo Brandão e segue concentrada entre jovens negros, aponta boletim
O estado aparece entre os que mais contribuíram para a alta de homicídios na região Nordeste.

A violência letal no Maranhão apresentou avanço em 2023 no governo Carlos Brandão e segue atingindo principalmente jovens negros, segundo dados do Boletim da Violência divulgados nesta semana. O estado aparece entre os que mais contribuíram para a alta de homicídios na região Nordeste, ao lado de Bahia e Ceará.
O documento mostra que, apesar de oscilações ao longo do ano, o Maranhão manteve taxas de mortes acima da média nacional, com predominância de crimes cometidos com armas de fogo, sobretudo em áreas urbanas da Região Metropolitana de São Luís.
Jovens negros seguem como principais vítimas
O boletim destaca que a violência letal no estado tem um perfil claro:
•Homens,
•Jovens de 15 a 29 anos,
•Negros, continuam sendo as maiores vítimas de assassinatos.
A proporção de negros entre os mortos no Maranhão segue acima de 80%, reforçando o padrão observado nas edições anteriores do estudo. O boletim alerta para um cenário persistente de vulnerabilidade racial e social, principalmente entre jovens moradores de regiões periféricas.
Crescem os homicídios de mulheres negras
O relatório também chama atenção para o aumento dos homicídios de mulheres negras no estado. Embora os números absolutos sejam menores que os dos homens, o boletim aponta crescimento maior proporcionalmente, o que acende alerta sobre violência de gênero e feminicídios ligados ao contexto doméstico e comunitário.
Armas de fogo são responsáveis pela maior parte das mortes
No Maranhão, o uso de armas de fogo aparece como principal instrumento da violência letal. A maioria dos homicídios registrados em 2023 foi cometida com revólveres ou pistolas, repetindo o padrão nacional e indicando facilidade de acesso ao armamento por grupos criminosos.
O boletim também relaciona o aumento das mortes ao fortalecimento de facções e à disputa territorial pelo tráfico de drogas em áreas vulneráveis.
Trânsito também preocupa
O documento ressalta ainda a alta das mortes no trânsito, especialmente envolvendo motociclistas — realidade que se repete ano após ano no Maranhão. Em 2023, acidentes com motos representaram parte significativa das mortes acidentais violentas, sobretudo em rodovias estaduais e vias urbanas sem fiscalização adequada.
Maranhão entre os estados que puxam alta da violência no Nordeste
A análise regional mostra que o Maranhão aparece ao lado de Bahia e Ceará como responsáveis por 77% da violência letal registrada no Nordeste no período avaliado. Os três estados juntos responderam pela maior parte dos homicídios da região.
Mesmo com oscilações mensais, o Maranhão não conseguiu reduzir de forma consistente os indicadores, mantendo taxas elevadas de mortes violentas ao longo de 2023.
Desafios permanecem para 2024
O boletim conclui que o estado enfrenta desafios estruturais para conter a violência, como:
•disputa entre facções,
•fragilidades na prevenção,
•desigualdade social,
•e vulnerabilidade da juventude periférica.
Apesar de avanços pontuais, o Maranhão segue entre os estados que mais preocupam especialistas em segurança pública, especialmente pelos impactos da violência sobre jovens e populações racializadas.



