O clima político na Prefeitura de São Luís é de tensão máxima. Com o avanço das articulações para abertura de um processo de cassação na Câmara Municipal, o prefeito Eduardo Braide passou a agir nos bastidores para tentar evitar a perda do mandato — e isso inclui acenos diretos a adversários que até pouco tempo mantinham relação de confronto aberto com o Palácio de La Ravardière.
Segundo divulgou o site Marrapá, e confirmou o Portal G7, Braide autorizou a liberação de R$ 300 mil em emendas parlamentares destinadas ao vereador Paulo Victor, presidente da Câmara e até então um dos principais opositores do prefeito. O recurso será repassado ao Clube de Mães Orgulho do Saber, no bairro Cidade Olímpica, por meio da Secretaria Municipal de Desporto e Lazer (Semdel).
De acordo com registros do Portal da Transparência, o pagamento está previsto para a próxima segunda-feira (8), feriado municipal na capital maranhense.
Liberações em série
O gesto em direção a Paulo Victor não é isolado. Outros parlamentares, como o vereador Aldir Júnior, também estariam tendo recursos de emendas destravados nas últimas horas. A movimentação ocorre justamente no momento em que Braide tenta conter o pedido de impeachment que ameaça sua permanência no cargo, após a disputa judicial relacionada ao aumento do próprio salário — valor que serve de teto para diversas categorias do serviço público municipal.
Nos bastidores, vereadores afirmam que a liberação das emendas “já deveria ocorrer por obrigação”, mas o timing do pagamento — às vésperas da votação decisiva — reforça o clima de pressão e negociação intensa nos bastidores do Centro Histórico da capital maranhense.
Votação decisiva na terça-feira
A sessão que pode definir o futuro político do prefeito está marcada para a manhã da próxima terça-feira (9). O ambiente é descrito como de forte tensão, com a base governista fragilizada e parte significativa da Câmara disposta a levar adiante a análise da denúncia.
Enquanto isso, Braide intensifica contatos e busca reverter votos desfavoráveis. Aliados próximos relatam que o prefeito está “dedicado integralmente” a impedir o avanço do processo — e, pela velocidade das liberações financeiras, parece disposto a mobilizar todas as ferramentas políticas disponíveis.
Braide de joelhos aos vereadores para não cair
Com uma proposta que somente ele tem a ganhar, Eduardo Braide, que nunca quis dialogar com os vereadores, mandou seus interlocutores buscar o presidente da Casa, Paulo Victor (PSB), para propor que a Câmara revogue a lei em troca da liberação das emendas parlamentares, que são impositivas.
Desta forma, Braide não descumprirá nem a lei aprovada para o reajuste do seu próprio salário e também não deixará de cumprir a lei orçamentária anual que prevê o pagamento obrigatória das emendas.
Entenda o motivo do desespero de Braide
Uma representação protocolada na terça-feira, 2, na Câmara de São Luís pede a cassação de Eduardo Braide por suposta infração político-administrativa e crime de responsabilidade. O documento é assinado por um servidor aposentado e já foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa.
A denúncia do servidor aposentado Carlos Alberto Machado acusa o prefeito de descumprir leis municipais vigentes, principalmente a Lei nº 7.729/2025, que é a que reajustou o salário de Braide e define o teto remuneratório municipal. Segundo a representação, o prefeito não aplica a norma, ao mesmo tempo em que teria promovido cortes considerados ilegais nos salários de servidores, aposentados e pensionistas desde novembro de 2024.
O documento afirma ainda que o prefeito estaria agindo de forma seletiva no cumprimento das leis, causando prejuízos financeiros e afrontando princípios da legalidade e da moralidade administrativa. A representação cita também que existe umsuposto desvio de finalidade no uso de recursos públicos desd e o ano passado. Esse caso, por sinal, já é um processo que tramita no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Entre os pedidos, o servidor aposentado pede que os vereadores cassem o mandato de Eduardo Braide por improbidade administrativa e também envie o conteúdo na íntegra do processo decorrente da representação para o Ministério Público Estadual e para o TCE.
