O presidente da Câmara de São Luís, vereador Paulo Victor (PSDB), mostra despreparo para administrar o parlamento ludovicense – o quarto mais antigo do país, ao por impulso, tentar justificar uma versão, que pode complicar a vida da procuradora da Casa ao envolvee os colegas Beto Castro e Octavio Soeiro no caso Domingos Paz.
Nesta segunda-feira, 30, durante sessão plenária, o chefe do Legislativo resolveu “apagar fogo com gasolina”, expressão popular que significa tentar resolver uma situação e acabar por complicar ainda mais. Mesmo Domingos paz usando a tribuna e negando a versão registrada na delegacia de Polícia Civil, Paulo Victor tentou justificar o Boletim de Ocorrência.
Do alto da sua inexperiência política e na ganância de tentar justificar uma tese já batida e cheia de desconfiança nos bastidores, o tucano confirmou que o vereador Domingos Paz (Podemos) efetivamente teria relatado a intenção de dirigir-se à Casa de Leis armado para possivelmente matar dois vereadores e depois tirar a própria vida.
Em sua versão, Paulo Victor acabou citando Beto Castro e Octavio Soeiro, que já teriam sido intimados a explicar o caso à Polícia Civil no episódio que pode acabar complicando a própria Procuradora da Casa, que caso não justifique a versão registrada no Boletim de Ocorrência, pode responder por falsa comunicação de crime (artigo 339 do Código Penal).
“Houve um fato. O vereador Domingos Paz disse aos vereadores Beto Castro e Otávio Soeiro que viria ao parlamento com uma arma. Imediatamente determinei que a Procuradora procurasse a autoridade policial”, declarou Paulo Victor.
“Esta Mesa Diretora baixou uma portaria sobre o manuseio e porte de arma dentro da Câmara, em resposta às informações passadas pelo vereador Domingos Paz aos vereadores Beto Castro e Octávio Soeiro, de que viria ao Plenário com arma em punho para tirar a vida de dois outros vereadores”, explicou Paulo Victor.
O Presidente da Câmara relatou, ainda, que houve diálogo entre Domingos Paz e a Mesa Diretora: “Houve entendimento cívico entre o vereador Domingos Paz e esta Mesa Diretora. Tivemos uma conversa de cunho político em que o vereador explicou os fatos e expressou arrependimento pelo que disse. Mas, o que falamos tem consequências. A providência foi tomada. Deixo registrado nos anais desta Casa o fato ocorrido”, concluiu Paulo Victor.
O problema, entretanto, é que tanto Beto Castro quanto Octavio Soeiro – consideradas as duas testemunhas oculares, não confirmam a versão do presidente da Casa. Na semana passada, por exemplo, Soeiro negou qualquer envolvimento, disse que não havia sido intimado a depor e apenas se envolveu na polêmica porque aparece nas imagens apaziguando uma possível briga entre Domingos Paz e Álvaro Pires.
Beto Castro, que é o 2º secretário da Mesa Diretora, sequer compareceu na sessão desta segunda-feira (30). Desde que a polêmica veio à tona, ele não se manifesta sobre o assunto e não responde a questionamentos da imprensa. A Procuradora da Casa, segundo fontes do G7, teria confidenciado a servidores da Casa, que teria cumprido apenas uma determinação do chefe quando procurou a polícia para comunicar o fato, mesmo sem nenhuma prova apresentada.
DESMENTIDO PELO ACUSADO
Paulo Victor também foi desmentido pelo vereador Domingos Paz, em pronunciamento na tribuna durante sessão desta segunda-feira (30). Em seu discurso, Paz falou sobre o episódio em que foi apontado como autor de ameaças contra dois colegas na Casa. Sem citar o fato, ele tratou de defender sua imagem como homem que está, ali, como representante do povo.
“Esta mão esquerda e esta mão direita nunca pegou uma arma”, disse o vereador, ao se referir, de forma indireta, ao fato de que foi acusado de ameaçar matar outros dois vereadores e, em seguida, tirar a própria vida, além de afirmar que praticamente nasceu dentro de uma Igreja.
Despreparo e rejeição
O único fato verdadeiro nisso tudo percebido pelos ludovicenses é o nível de despreparado de um líder que não consegue liderar mais nem a si próprio. A situação no Palácio Pedro Neiva de Santana é tão vexatória, mas tão vexatória, que muitos servidores e vereadores se sentem envergonhados com as pataquadas exibidas diariamente na Câmara de São Luís.
Em conversa com alguns parlamentares, a maioria hoje, considera Paulo Victor despreparado, indeciso e pouco inteligente, em se tratando de política, além de ser autoritário e altamente influenciado por fuxicos internos e de bastidores.
“É uma situação que não deveria chegar a esse ponto. O presidente [Paulo Victor] foi muito precipitado em se pautar no “eu ouvir falar” e levar um caso grave como esse para a polícia sem nenhuma prova. Evolveu colegas de plenários, uma servidora e acabou expondo a Casa de forma desnecessária. Infelizmente, a exposição negativa, acaba afetada a imagem de todos nós”, declarou, em conversa com o editor do G7, um vereador.
O parlamentar revelou ainda que estaria existindo um cenário de perseguição nos bastidores da Câmara, onde outros vereadores estariam vivendo a mesma situação pela qual passa o Irmão Domingos Paz. “Estamos todos assustados. Estou nesta Casa há alguns anos e nunca tinha vista algo parecido. É lamentável!”, concluiu o edil, que teme algo ainda pior.
Tentamos contato com Domingos paz via WhatsApp, mas até o fechamente desta matéria, não tivemos retorno. Também contactamos o vereador Beto Castro na semana passada, fizemos isso hoje novamente, mas ele não retornou nossas solicitações. Já o vereador Octávio Soeiro, único a responder nossos questionamentos na semana passada, também nos retornou rapidamente alegando, que tem atuado na conciliação e tentado colocar a paz de volta no parlamento. Segundo Soeiro, ele tem uma relação bastante harmoniosa com todos os parlamentares da Casa.
