Buscando likes nas redes sociais, “aprendiz de cantor” passa vergonha ao criticar escrita histórica em cemitério de Pinheiro

A falta de conhecimento sobre a história acaba adoecendo quem deveria curar com boa informação.

Com a popularização das redes sociais, parece que todo tipo de “espécie” resolveu se manifestar em busca de curtidas — gatos, cachorros, papagaios e, claro, alguns “desinformados” também. Em Pinheiro, na Baixada Maranhense, um dublê de cantor identificado como Clayton dos Teclados acabou viralizando ao afirmar que a inscrição “Descança em Paz”, gravada em uma lápide do cemitério Santo Inácio, estaria escrita de forma errada. O problema é que o crítico da vez esqueceu de estudar o que tentava corrigir.

Sem qualquer checagem ou conhecimento linguístico, o “aprendiz de cantor” resolveu bancar o professor de português na internet — e acabou passando vergonha pública. A resposta veio rápida e precisa da Academia Pinheirense de Letras, Artes e Ciências (APLAC), que não apenas desmentiu a crítica como transformou o episódio em uma verdadeira aula de história da língua portuguesa.

Em nota assinada por Maurício Gomes Alves, membro da APLAC, a instituição explicou que a grafia “Descança”, com “Ç”, tem valor histórico e linguístico, sendo amplamente registrada em diferentes períodos da língua portuguesa, inclusive em documentos, lápides e obras literárias antigas. “A grafia com ‘ç’ não é um erro: é um eco da língua em transição”, escreveu Alves. “Corrigir essa grafia seria como editar uma carta de amor antiga — um gesto frio contra a emoção.”

O esclarecimento também destacou que o Cemitério Santo Inácio, fundado em 1896, é um patrimônio histórico e afetivo da cidade, abrigando não apenas os restos mortais de gerações, mas também a memória cultural e linguística de Pinheiro. Por isso, a inscrição deve ser respeitada como testemunho da história local, e não “corrigida” em nome de uma norma moderna.

Após a publicação da APLAC, sobrou para Clayton. O vídeo em que ele apontava o suposto “erro” virou piada nas redes, e o “crítico” ganhou o apelido de influenciador do constrangimento.

Com mais essa gafe, o “pseudo cantor” reafirma sua fama de quem faz barulho, mas desafina quando o assunto é conhecimento. Fica a lição: antes de buscar likes, é melhor buscar leitura.

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