O município de São José de Ribamar enfrenta velhos problemas de infraestrutura, serviços precários e reclamações constantes da população. Mesmo diante desse cenário, o foco político desta semana parece ter sido outro: a organização das emendas parlamentares municipais para 2026.
Nesta quinta-feira (16), a Prefeitura promoveu reunião para alinhar a futura execução das chamadas emendas parlamentares municipais, instrumento que permite a destinação de recursos por indicação de vereadores.
Enquanto ruas esburacadas, bairros esquecidos e demandas urgentes seguem sem resposta adequada, a movimentação política nos bastidores gerou críticas de moradores e opositores, que veem prioridades invertidas na gestão.
Participaram do encontro representantes de secretarias e assessorias responsáveis pela futura implementação das emendas, em uma articulação que buscou integrar setores administrativos e preparar o fluxo interno de execução.
Segundo a Prefeitura, foram debatidos procedimentos administrativos, requisitos legais e medidas voltadas à transparência, segurança jurídica e eficiência no uso dos recursos públicos.
Discurso técnico, realidade crítica
O chefe da Assessoria Especial, André Siqueira, afirmou que o planejamento antecipado busca evitar entraves futuros.
“Estamos construindo um fluxo claro e seguro para a execução das emendas parlamentares municipais. Isso garante que os recursos cheguem à população de forma ágil e dentro da lei, fortalecendo a relação entre o Legislativo e o Executivo”, declarou.
Já a secretária de Planejamento e Finanças, Geane Paulino, destacou responsabilidade fiscal e alinhamento entre pastas para atender demandas populares.
No papel, o discurso parece organizado. Nas ruas, a população cobra resultados concretos.
Silêncio da base aliada
Outro ponto criticado é a postura de vereadores aliados ao prefeito Dr. Julinho. Segundo opositores, muitos parlamentares permanecem em silêncio diante de problemas estruturais do município, mas demonstram forte interesse quando o assunto envolve recursos e emendas.
Em várias cidades brasileiras, o modelo de emendas parlamentares vem sendo debatido por órgãos de controle e pelo Supremo Tribunal Federal, especialmente quanto à transparência, rastreabilidade e critérios de distribuição.
Conclusão
Planejar recursos é importante. Mas quando a cidade cobra limpeza, mobilidade, saúde e infraestrutura, discutir emendas antes de resolver o básico passa a imagem de uma classe política mais preocupada com orçamento do que com o cidadão.
Em São José de Ribamar, a pergunta das ruas continua simples: quando a prioridade será a cidade e não os gabinetes?
