Uma consulta aos portais da transparência das prefeituras de Urbano Santos e Belágua revela o que pode ser classificado, no mínimo, como uma curiosa coincidência: a presença recorrente de determinadas empresas como prestadoras de serviços nesses municípios. Ambas as gestões são comandadas por aliados políticos da presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputada Iracema Vale.
Em Urbano Santos, o prefeito é Clemilton Barros, conhecido como Professor Clemilton, aliado político de Iracema Vale. O vice-prefeito é Herlon Júnior, filho do ex-prefeito Herlon Costa e de Iracema. Já em Belágua, o prefeito é Frutuoso Machado da Ponte Filho, o Neném Pontes, também apontado como aliado do mesmo grupo político.
O levantamento também inclui contratos firmados pela Prefeitura de Barreirinhas, administrada por Vinícius Vale, filho da deputada Iracema Vale. O que chama atenção é que empresas já contratadas por Urbano Santos e Belágua passaram, a partir de 2025 — início da atual gestão em Barreirinhas —, a prestar serviços também nesse município.
Entre as empresas identificadas nos três municípios estão:
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GOLDEN COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA
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DISTRIBUIDORA RIO MUNIM LTDA
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GLOBAL EMPREENDIMENTOS E DISTRIBUIDORA LTDA
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ARVOREDO REPRESENTAÇÕES E DISTRIBUIÇÃO LTDA
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MASTER EMPREENDIMENTOS SERVIÇOS E LOCAÇÃO LTDA
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DISTRIBUIDORA MV EDUCACIONAL LTDA
De acordo com os dados disponíveis nos portais da transparência, essas empresas já mantinham contratos ativos, sobretudo em Urbano Santos e Belágua, e posteriormente passaram a firmar contratos também com a Prefeitura de Barreirinhas.
O volume financeiro acumulado ao longo do tempo, especialmente nos dois primeiros municípios citados, levanta questionamentos políticos e administrativos, uma vez que os gestores são aliados diretos da presidente da Assembleia Legislativa e do ex-prefeito Herlon Costa.
Não há, até o momento, comprovação de irregularidade. No entanto, a repetição de fornecedores em municípios ligados ao mesmo grupo político provoca estranhamento e exige atenção dos órgãos de controle e de fiscalização.
Cabe às Câmaras Municipais, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao Ministério Público do Maranhão analisar os contratos, verificar a legalidade dos procedimentos licitatórios e apurar eventual existência de favorecimento ou direcionamento.
Em política, coincidências acontecem. Mas quando empresas, inclusive sediadas fora dos municípios contratantes, passam a atuar de forma recorrente em cidades sob influência do mesmo núcleo político, o mínimo que se espera é transparência absoluta e fiscalização rigorosa.
