Deputado Pastor Gil gastou R$ 800 mil em dinheiro público com gráfica

Empresa contratada com verba da Câmara também prestou serviços durante as campanhas de 2018 e 2022

Levantamento realizado pelo site Folha do Maranhão, com base em dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, revela que o deputado federal Pastor Gil (PL), réu no Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou cerca de R$ 800 mil em recursos públicos da cota parlamentar para custear materiais gráficos entre os anos de 2020 e 2025. As informações foram inicialmente divulgadas pela Folha do Maranhão e confirmadas pelo G7.

A empresa contratada é a Gráfica e Editora Shalom Ltda, localizada na Rua Fortaleza, no bairro Goiabal, em São Luís. Os gastos elevados e frequentes com a gráfica chamam atenção especialmente por sua ligação direta com as campanhas eleitorais do parlamentar.

Em 2024, por exemplo, Pastor Gil gastou R$ 135.300,00 em materiais impressos. Só em julho, foram R$ 33.800,00 para a produção de 13 mil unidades, e em dezembro o valor saltou para R$ 101.500,00, divididos em dois pedidos — um de 18 mil e outro de 17 mil impressões.

Em 2023, os números também foram expressivos:

No ano de 2022, a despesa total foi de R$ 170.100,00, com destaque para um pagamento de R$ 62.500,00 por apenas 50 impressões em junho — valor que levanta suspeitas sobre o tipo e custo real do material contratado. Nos meses seguintes, os valores seguiram elevados: R$ 73.800,00 em novembro (30 mil) e R$ 33.800,00 em dezembro (14 mil).

O padrão se mantém em anos anteriores:

Além do vínculo com o mandato, a gráfica Shalom também participou das campanhas eleitorais de Pastor Gil:

A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) é um recurso legal, custeado com dinheiro público, destinado a despesas como passagens aéreas, combustível, consultorias, aluguel de escritório e materiais gráficos. No entanto, o uso reiterado de uma mesma empresa ligada às campanhas eleitorais do deputado levanta suspeitas de favorecimento, superfaturamento e uso indevido da verba pública.

O caso reforça a necessidade de maior fiscalização, transparência e controle do uso da cota parlamentar, principalmente quando envolve valores tão altos e vínculos anteriores entre o parlamentar e o fornecedor.

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