O Governo do Maranhão montou um palco para apresentar um espetáculo e tentar fazer os prefeitos e prefeitas sorrirem, após descobrir que 90% dos gestores municipais estão insatisfeitos com o governador Carlos Brandão — que promete muito, faz pouco, e quando faz, faz mal. O abandono das estradas estaduais e a paralisação de obras desde 2022 têm deixado muitos chefes de executivos municipais “tiriricas”, o que pode inclusive comprometer a eleição de Brandão em 2026.
Na tentativa de reaproximação com os prefeitos, Brandão usou o presidente da Famem, Roberto Costa, para promover um evento batizado de “Encontro de Prefeitos e Prefeitas”, com o discurso de capacitar gestores e ampliar políticas públicas no estado. Muitos prefeitos, no entanto, sequer compareceram. Presentes, apenas os mais próximos do governador — aqueles que ainda acreditam em promessas, mesmo a menos de 12 meses para o fim do mandato.
O evento, que teve início nesta quinta-feira (24) e termina nesta sexta (25), aconteceu no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, no Cohafuma, em São Luís. No primeiro dia, o já conhecido bordão de Brandão — o de ser “um governador municipalista” — foi repetido à exaustão, enquanto as estradas continuam abandonadas e a travessia de ferryboat entre Ponta da Espera e Cujupe segue em estado precário.
A foto oficial do evento deixa claro: nem metade dos prefeitos do Maranhão compareceu, revelando a insatisfação generalizada. O “Encontro”, vendido como espaço de desenvolvimento e avanço das políticas públicas, não passou de um palanque político — um autêntico espetáculo Cerca Lourenço.
Brandão falou em diálogo com os gestores municipais, mas o que os prefeitos querem é ação concreta. Muitos municípios estão isolados por falta de infraestrutura, enquanto o governador finge que governa. O discurso do “municipalismo” é só uma estratégia para eleger o sobrinho Orleans Brandão, atual secretário de Assuntos Municipalistas, que já articula sua candidatura à Câmara Federal em 2026.
A presidente da Assembleia Legislativa, Iracema Vale (PSB), cumpriu tabela e usou sua habilidade política para dizer que o Encontro era uma “oportunidade valiosa”, mesmo sabendo que tudo não passava de teatro. Brandão tenta parecer aliado dos prefeitos, mas a realidade mostra outra coisa.
Roberto Costa, prefeito de Bacabal e presidente da Famem, fez seu papel, destacando a importância da participação dos gestores, mas sabe que o que falta é ação. Aliás, Roberto já disse as mesmas frases em apoio a Roseana Sarney quando ela era governadora. O Maranhão muda de governador, mas o espetáculo continua o mesmo.
Mesmo com a oferta de 26 oficinas no evento, o desânimo era visível. A maioria dos prefeitos aguarda que Felipe Camarão assuma o comando do estado, na esperança de mudanças reais. Brandão, que ainda deve obras de 2022, continua se promovendo com programas sociais que não tiram ninguém da pobreza — apenas maquiam a miséria.
Durante o evento, o governo assinou o termo de adesão dos municípios ao programa “Maranhão Livre da Fome”, que promete retirar quase meio milhão de maranhenses da extrema pobreza. Na prática, é mais um “bolsa-imposto”: o governo tira com uma mão (via tributos) e devolve migalhas com a outra.
Fica evidente que Carlos Brandão nunca teve um projeto real para o Maranhão. Sua gestão se sustenta em propaganda, enquanto o povo carece do básico para sobreviver. Na área da produção, os órgãos como Sagrima, Agerp e Aged participaram do evento com discursos vazios sobre políticas públicas que não existem de verdade.
Os programas do governo são mal executados e a mídia palaciana insiste em criar uma ilusão de eficiência. Na saúde, faltam leitos, medicamentos e profissionais. Sobram assediadores morais nas unidades estaduais.
Na infraestrutura, a situação é ainda mais crítica: estradas esburacadas, obras inacabadas, IPVA caro para rodar na buraqueira. E as poucas obras entregues já estão se deteriorando.
O transporte é um caos: o governo deve até subsídio aos donos de barcos de Alcântara. A travessia de ferryboat, além de cara, é lenta e humilhante. Passageiros relatam esperas de até 15 horas e denúncias de “fura-fila” mediante propina.
Carlos Brandão perdeu a confiança até dos mais pacientes. Seus consórcios municipais, selos de produção livre de agrotóxicos e adesões a sistemas agroindustriais não saem do papel. O governador, aliado do agronegócio, nunca teve compromisso com o pequeno produtor.
O Procon-MA, que deveria defender o consumidor, virou órgão submisso ao Palácio dos Leões. Situações absurdas, como o desrespeito no ferryboat, são ignoradas enquanto o órgão se cala convenientemente.
Brandão repete o modelo implantado por Flávio Dino, que prometeu erradicar a pobreza, mas aumentou a miséria. Programas como os restaurantes populares são importantes, mas não desenvolvem um estado. Onde surge um restaurante, três ou cinco estabelecimentos privados fecham.
O discurso de “governador municipalista” virou uma piada de mau gosto. Ao invés de investir em estradas por onde passa a produção, Brandão prefere reformar aeroportos, por onde passam os ricos. E quem sofre é o povo, condenado à precariedade por um governador migueloso.
