O deputado estadual Rodrigo Lago (PCdoB) voltou a utilizar as redes sociais para fazer uma denúncia grave contra o governo do Maranhão. Desta vez, o parlamentar, que já havia denunciado na tribuna da Assembleia Legislativa, acusa a gestão do governador Carlos Brandão (PSB) de superfaturamento na compra de tablets destinados a alunos da rede estadual de ensino, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seduc).
De acordo com Rodrigo Lago, o governo maranhense teria pago R$ 621,90 por unidade, enquanto o Governo do Ceará, adquirindo o mesmo modelo e da mesma empresa fornecedora, teria pago R$ 439 por tablet. A diferença, segundo o deputado, indicaria um possível sobrepreço milionário.
Segundo os dados apresentados pelo parlamentar, o investimento total do governo do Maranhão na compra dos equipamentos teria sido de aproximadamente R$ 150 milhões, dos quais R$ 44 milhões seriam referentes a valores superfaturados.
“Além de enganar os alunos quanto à entrega do aparelho, o governador aproveitou a oportunidade para superfaturar a compra dos tablets em R$ 44.335.691,90. O Desperdiçômetro do Brandão já ultrapassou R$ 90 milhões”, afirmou Rodrigo Lago em publicação nas redes sociais.
Diante da gravidade das acusações, o deputado defendeu que o caso seja rigorosamente apurado pelo Ministério Público do Maranhão. Caso confirmadas as irregularidades, ele sustenta que os responsáveis devem ser devidamente responsabilizados.
Outro caso semelhante envolvendo a gestão Brandão
A denúncia sobre os tablets não é um episódio isolado. Em agosto de 2025, uma representação foi protocolada no Ministério Público do Maranhão questionando a compra de ambulâncias pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), realizada em fevereiro do mesmo ano. O contrato, firmado sem licitação, também levantou suspeitas de superfaturamento milionário.
Documentos obtidos com exclusividade pelo portal G7 indicam que o governo estadual adquiriu 200 ambulâncias de suporte básico tipo “B”, modelo van/furgão, da empresa CKS Veículos Especiais LTDA. Cada unidade teria sido comprada por R$ 439 mil, totalizando um gasto de R$ 87,8 milhões.
No entanto, levantamento realizado com base na plataforma Governo Compras, que reúne dados de aquisições públicas em todo o país, aponta que o valor médio de mercado para o mesmo modelo gira em torno de R$ 322 mil. A diferença representa um possível sobrepreço de R$ 117 mil por veículo, o que pode ter causado um prejuízo estimado de R$ 23,3 milhões aos cofres públicos.
Mesmo diante das evidências apresentadas à época, a denúncia não avançou no âmbito do Ministério Público, o que gerou críticas e questionamentos sobre a atuação dos órgãos de controle no Maranhão.
A sucessão de contratos de alto valor, compras diretas e diferenças expressivas em relação aos preços praticados no mercado nacional reacende o debate sobre transparência, fiscalização e responsabilidade no uso dos recursos públicos na gestão do governador Carlos Brandão.
