Viajar de ferryboat no Maranhão virou sinônimo de humilhação. Quem pretende sair de São Luís rumo à Baixada ou ao Litoral Ocidental Maranhense no feriado da Independência vai encarar, mais uma vez, filas quilométricas nos terminais da Ponta da Espera e de Cujupe. A decisão é da própria Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), que proibiu a venda antecipada de passagens entre os dias 5 e 9 de setembro.
A medida, que deveria trazer organização, apenas escancara o descaso com os usuários. Enquanto passageiros perdem horas — ou até um dia inteiro — esperando na fila, relatos dão conta de viagens atrasadas, horários cancelados sem aviso e falta de respeito ao consumidor. A Internacional Marítima, única empresa que socorre o colapso da Servi Porto e da Henvil, não consegue dar conta da demanda, mas segue vendendo passagens em horários que simplesmente não cumpre.
O cenário é repetitivo e vergonhoso: embarcações velhas, serviço precário e fiscalização ausente. Procon, MOB, Capitania dos Portos, Ministério Público e Assembleia Legislativa permanecem em silêncio, como se o drama diário de milhares de maranhenses fosse um detalhe sem importância.
A travessia entre São Luís e a Baixada não é luxo, é necessidade. Mas para quem depende do ferryboat, cada feriado se transforma em um teste de paciência e resistência. A pergunta que fica é: até quando a população será obrigada a conviver com esse descaso histórico?
