O deputado estadual Antônio Pereira (PSB), investigado em operações da Polícia Federal por supostos desvios de recursos da saúde no Maranhão, voltou a ganhar protagonismo político nesta quarta-feira (9), ao subir à tribuna da Assembleia Legislativa para defender o governo Carlos Brandão (PSB) e atacar opositores.
Antônio Pereira, que exerce seu sexto mandato consecutivo na Casa, é apontado como beneficiário de repasses milionários por meio da OSCIP Bem Viver – Associação Tocantina para o Desenvolvimento da Saúde, entidade criada em 2006, com sede em Imperatriz. A organização firmou contratos com o governo do estado durante a gestão da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), supostamente para reformas hospitalares que nunca foram concluídas.
Em investigações realizadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF), no âmbito da Operação Sermão aos Peixes e da Operação Voadores, o parlamentar e seus familiares aparecem como suspeitos de envolvimento em um esquema que teria desviado milhões de reais de recursos públicos federais destinados à saúde.
De acordo com o MPF, a Bem Viver era controlada de forma oculta por Antônio Pereira e teria operado com empresas de fachada para supostamente desviar verbas do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de saques, transferências e pagamentos ilícitos. As investigações apontam que parte do dinheiro era usado para manter uma rede de influência formada por blogueiros, jornalistas e outras figuras públicas, com o objetivo de favorecer politicamente os envolvidos.
Além do deputado, o empresário Bernardo Pereira, filho de Antônio Pereira, também responde a ações penais decorrentes das operações federais. Ele foi denunciado por participação no núcleo financeiro do Instituto Cidadania e Natureza (ICN), outra entidade que mantinha contratos com a Secretaria de Estado da Saúde (SES) na mesma época. Segundo o MPF, o ICN estaria no centro de um esquema de desvio de recursos entre 2009 e 2015.
Na 7ª fase da Operação Sermão aos Peixes, deflagrada com autorização da Justiça Federal a partir de representação do MPF, a Bem Viver voltou a ser alvo de buscas e apreensões. A apuração identificou indícios de lavagem de dinheiro, peculato e obstrução de investigações. Também foram citados como envolvidos Emílio Borges Rezende, Plínio Medeiros Filho e Maria da Conceição de Barros, apontada como responsável pela movimentação financeira da organização.
A Justiça autorizou medidas cautelares contra os investigados, incluindo constrição de bens e prisão temporária de alguns acusados, como o ex-secretário de Saúde Ricardo Murad. Antônio Pereira, por ocupar mandato parlamentar, teve sua ação remetida ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) em razão do foro privilegiado.
Apesar de ser alvo de diversos procedimentos, o deputado segue atuando normalmente na Assembleia Legislativa e mantém influência no governo estadual, sendo aliado direto da presidente da Casa, Iracema Vale (PSB), e do governador Carlos Brandão, também investigado por supostos contratos irregulares com empresas ligadas ao setor da construção civil, como a Qualitech Engenharia, controlada por Fred Campos, atual prefeito de Paço do Lumiar.
O parlamentar não se pronunciou sobre as investigações até o momento. A reportagem procurou a defesa de Antônio Pereira, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.
