O deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e foragido nos Estados Unidos, continua registrando gastos com combustível no Brasil por meio da cota parlamentar, mesmo estando a quase 8 mil quilômetros de distância do país. Desde que deixou o Brasil rumo a Miami, em setembro, Ramagem teria apresentado dezenas de pedidos de reembolso referentes a abastecimentos realizados no Rio de Janeiro, apesar de não exercer presencialmente suas atividades parlamentares.
A informação foi revelada pela jornalista Thais Bilenky e repercutida no programa A Hora, do portal UOL. De acordo com a reportagem, ao menos 25 registros de abastecimento foram feitos em um mesmo posto localizado na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O padrão aponta para possível uso irregular da verba pública por terceiros, além de levantar suspeitas sobre a emissão de notas fiscais frias com eventual finalidade de lavagem de dinheiro.
Dois detalhes chamaram a atenção dos investigadores. Um deles é a emissão de três notas fiscais consecutivas, todas acima de R$ 200, no mesmo posto, no dia 13 de outubro. Outro ponto é a relação societária dos proprietários desses estabelecimentos com figuras próximas ao governo Cláudio Castro (PL-RJ) e ao empresário Ricardo Magro, dono da Refit, empresa já envolvida em controvérsias sobre recolhimento de impostos.
A permanência de gastos com combustível vinculados ao gabinete de Ramagem, mesmo após sua fuga, fortalece críticas ao discurso do bolsonarismo, que costuma pregar moralidade e combate à corrupção nas redes sociais, mas acumula episódios que colocam em xeque essa narrativa. Nos bastidores da política, mais uma vez, a prática parece distante do discurso propagado publicamente por aliados e apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.
