São João: Bandeirinhas e os “novos” bandeirantes no Maranhão

Enquanto isso, governador Carlos Brandão e deputados desfilam no tapete da hipocrisia

Se feita de forma adequada, é politicamente correta a cobrança da colocação de bandeirinhas no Centro Histórico de São Luís. Os festejos e a decoração atraem turistas, movimentam a cadeia produtiva do São João e geram renda em diferentes camadas da sociedade: do empresário ao vendedor ambulante.

No entanto, não é adequada a postura do jovem que gravou um vídeo insultando o governador e outros gestores diretamente responsáveis pela decoração. O rapaz revelou a sua indignação com insultos típicos da terra arrasada que se instalou no Brasil bolsonarista.

Uma coisa é reivindicar políticas públicas da Cultura. Há espaços e métodos adequados para isso. Outra coisa é usar as redes sociais para insultar gestores publicamente, reforçando uma prática que vem se tornando usual do ambiente político.

Xingar e agredir verbal ou fisicamente os adversários ou gestores são atos deploráveis que atentam contra a democracia. O que pode parecer uma brincadeira juvenil é algo sério demais. Foi com esse tipo de comportamento que uma horda de brutalidade tentou um golpe em 8 de janeiro de 2023.

ORNAMENTAÇÃO x DEVASTAÇÃO

Como dito acima, é pertinente a cobrança da instalação de bandeirinhas. No entanto, enquanto as atenções se voltam para a ornamentação do Centro Histórico, um gigantesco processo de devastação acontece no Maranhão.

Quilombolas, indígenas, comunidades tradicionais, extrativistas e os trabalhadores da agricultura familiar sofrem todos os tipos de violência no campo. O Maranhão parece recuar ao século 16, quando as expedições denominadas entradas e bandeiras dizimaram e escravizaram indígenas e pilharam as nossas riquezas naturais.

Os bandeirantes cometeram todos os tipos de atrocidade para escravizar mão de obra indígena em busca por ouro, prata e diamante. Nessa altura do século XX está em curso o maior de todos os processos de destruição dos recursos naturais, no Maranhão, pelo agronegócio.

As empresas do agro, os grileiros e latifundiários são os novos bandeirantes, nesta versão armados com tratores e aviões. O campo no Maranhão está em guerra: de um lado, as comunidades tradicionais resistindo às violências generalizadas; de outro, o agro.

Genericamente denominados “gaúchos”, os novos bandeirantes usurpam terras, destroem o patrimônio material e imaterial das comunidades tradicionais, vilipendiam as formas de vida ancestrais e cometem todos os tipos de abuso contra os direitos humanos.

Tudo isso ocorre sem que o Governo do Estado tome medidas enérgicas para regular as licenças ambientais e conter as mortes e ameaças contra mulheres e homens extrativistas e agricultores.

Nesse cenário, camponeses vivem um clima de terror no Maranhão. Suas terras são tomadas à força, os rios e o ar estão contaminados pela pulverização de veneno, as fontes de produção de alimentos escasseiam dia a dia, aumentando a fome e a miséria.

Tudo bem que as bandeirinhas são importantes, mas o Maranhão arde em uma fogueira de violência sem limites, transformando tudo em cinza.

Por Ed Wilson Araújo

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