Vereadores de São Luís e São José de Ribamar são citados em ação do STF que pode condenar deputados federais

Caso envolve supostas solicitações de vantagens indevidas no valor de R$ 1,6 milhão para liberação de R$ 6,6 milhões em emendas parlamentares.

O escândalo conhecido como “Propinão”, que envolve os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL) e Pastor Gil (PL), volta a ganhar destaque com o avanço da ação penal em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso investiga um suposto esquema de cobrança de propina em troca da liberação de recursos de emendas parlamentares no Maranhão.

De acordo com informações obtidas pelo Portal G7, as investigações tiveram início em 2020, após o então prefeito de São José de Ribamar, Eudes Sampaio, denunciar uma suposta cobrança de 25% sobre o valor de emendas destinadas ao município para a área da saúde. O montante total sob suspeita seria de R$ 1,6 milhão, referente à liberação de R$ 6,6 milhões em recursos públicos.

O inquérito conduzido pela Polícia Federal apontou que o esquema teria funcionado por pelo menos cinco anos e envolveria ameaças e pressões sobre prefeitos maranhenses para assegurar o pagamento das vantagens indevidas.

O caso ganhou novos desdobramentos após a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciar ao STF os deputados federais Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil, além de um suplente do PL, pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa. A denúncia será julgada pela Primeira Turma do STF, ainda sem data definida.

Contudo, as investigações revelam um novo elemento: dois vereadores maranhenses também são citados nos autos do processo. Um deles é de São José de Ribamar e o outro de São Luís. Segundo apuração do G7, o parlamentar ribamarense teria atuado como intermediário para aproximar os supostos cobradores da propina do então prefeito Eudes Sampaio, enquanto o vereador ludovicense seria apontado como um “vendedor” de emendas — facilitando acordos e aproximações entre políticos e prefeituras.

Os nomes dos vereadores ainda não foram oficialmente divulgados, mas deverão ser revelados nas próximas publicações do G7, que prepara uma série de reportagens especiais intitulada “Propinão: uma década de corrupção no empobrecido Maranhão”.

O escândalo completa seis anos em maio de 2026 e expõe uma teia de relações políticas e financeiras que, segundo os investigadores, pode ter movimentado altos valores por meio de emendas parlamentares federais destinadas a municípios maranhenses.

Imaagem: Reprodução/Paulo Oliveira

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