Aliados do prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), têm divulgado nas redes sociais e grupos de WhatsApp conteúdos que tentam descredibilizar o policial militar Geidson Thiago dos Santos, morto a tiros durante uma vaquejada na cidade de Trizidela do Vale. O prefeito é apontado como o autor dos disparos.
Segundo relatos e vídeos compartilhados por apoiadores do gestor, há tentativas de sustentar a versão de legítima defesa e de atribuir à vítima comportamentos que justificariam a ação do acusado. A estratégia, segundo especialistas em direito penal, é frequentemente usada para influenciar a opinião pública e enfraquecer a acusação em processos criminais.
A repercussão dos vídeos e textos — alguns compartilhados por comunicadores de São Luís e influenciadores da região — provocou reações de indignação entre colegas de farda da vítima e membros da sociedade civil, que classificam a campanha como uma tentativa de inverter a narrativa e minimizar a gravidade do crime.
De acordo com as investigações preliminares, o policial militar foi atingido por cinco disparos pelas costas, o que, se confirmado, pode enfraquecer a tese de legítima defesa alegada pela defesa do prefeito. João Vitor Xavier se apresentou na Delegacia de Presidente Dutra e, conforme denúncias do deputado estadual Wellington nas redes sociais, foi liberado após prestar depoimento. O delegado responsável, César Ferro, estaria supostamente filiado ao mesmo partido do prefeito, o PDT.
O caso traz repercussões políticas para o partido, que tem entre seus principais líderes no estado o senador Weverton Rocha. O silêncio de lideranças partidárias tem gerado pressão nas redes sociais, principalmente diante da proximidade entre o acusado e figuras como o prefeito de Bernardo do Mearim, Júnior Xavier e o ex-presidente da Famem, Erlânio Xavier, ambos parentes do prefeito assassino confesso.
Organizações de direitos humanos e entidades ligadas à segurança pública têm cobrado providências do Ministério Público e da Câmara de Vereadores de Igarapé Grande, que pode analisar a eventual cassação do mandato do prefeito, caso se confirme seu envolvimento no crime.
O espaço segue aberto para manifestação da defesa do prefeito João Vitor Xavier, da direção estadual do PDT, do senador Weverton Rocha e da Delegacia de Polícia de Presidente Dutra, assim como do delegado Cesar Ferro, que liberou o assassino após depoimento.
