Antônio Américo precisou de 14 anos para arruinar o futebol maranhense

Presidente da FMF acumula poder, salários milionários e críticas severas pela deterioração dos campeonatos locais

O atual presidente da Federação Maranhense de Futebol (FMF), Antônio Américo, é apontado por dirigentes, torcedores e jornalistas como o principal responsável pelo colapso do futebol maranhense. Após 14 anos à frente da entidade, o mandatário transformou a gestão da federação em um ambiente sem transparência, com suspeitas de favorecimentos, desvalorização de clubes e abandono das competições amadoras — em especial o Campeonato Intermunicipal de Seleções, que desapareceu do calendário esportivo.

Indicado como interventor em 2011 por decisão do Ministério Público, após o afastamento de Alberto Ferreira, Américo permanece no comando da FMF até hoje — mesmo com novas eleições democráticas estimuladas, mas sem concorrentes ao cargo. Neste período, acumulou poder e passou a receber salários que hoje somam R$ 215 mil mensais, totalizando R$ 2,58 milhões por ano — valor superior à premiação total do Campeonato Maranhense.

O contraste entre a estrutura da FMF e a realidade dos clubes é gritante. Em 2025, o campeão estadual recebeu apenas R$ 100 mil em premiação. O vice-campeão só obteve seus R$ 50 mil após denúncia feita pelo portal G7. Moto Club, Sampaio Corrêa, IAPE e Tuntum receberam R$ 20 mil cada, enquanto Pinheiro e Viana ficaram com R$ 10 mil. Os valores são irrisórios diante das dificuldades enfrentadas pelos clubes e da arrecadação da própria federação.

O histórico de má gestão não é recente. Em 2017, por exemplo, a FMF intermediou um patrocínio de R$ 1,8 milhão do governo Flávio Dino para o Campeonato Maranhense, mas a maior parte dos recursos foi repassada à emissora de TV responsável pela transmissão — ao contrário do que ocorre em ligas organizadas, onde a televisão paga pelos direitos de exibição. Na ocasião, Moto, Sampaio e Imperatriz receberam R$ 130 mil cada, enquanto outros clubes foram contemplados com apenas R$ 80 mil. Não houve licitação pública, e os critérios de repasse nunca foram divulgados com clareza.

Mais grave ainda: mesmo com patrocínio milionário, dezenas de jogos do campeonato daquele ano não foram transmitidos, gerando suspeitas sobre a finalidade real dos recursos. Nenhuma explicação formal foi dada pela FMF, e tampouco houve prestação de contas públicas.

A falta de investimentos em infraestrutura, apoio aos atletas e incentivo ao futebol de base é visível. O Maranhão amarga hoje uma das piores classificações entre os campeonatos estaduais do Brasil, ficando atrás de federações consideradas menores, como as de Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

Enquanto o futebol local agoniza, a cúpula da federação prospera. Com um salário que ultrapassa 20 vezes o valor pago ao clube campeão do Estado, Antônio Américo segue blindado e sem fiscalização eficaz. O Ministério Público, que o indicou como interventor, parece ter esquecido de que a função era transitória — e que o futebol maranhense segue à deriva.

Dirigentes de clubes, conselheiros e representantes do esporte local precisam reagir. É hora de cobrar transparência, exigir novas eleições e lutar por uma gestão que coloque o futebol maranhense de volta aos trilhos. A permanência de Américo, por si só, já se tornou símbolo do atraso.

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