Após enganar Josimar Maranhãozinho em 2024, Eduardo Braide faz Lahésio Bonfim a vítima de 2026

Em São Luís vereadores, ex-vereadores colecionam decepções com o ex-prefeito Eduardo Braide.

Na política, a bola sempre parece ser o eleitor — e a cada eleição surgem novos craques da articulação, do cálculo e, para alguns, da promessa que nunca chega ao apito final. É um gramado fértil para espertos e espertalhões.

Política é um campeonato onde quase ninguém entra para perder e muitos ingressam achando que são gênios do tabuleiro. No Brasil, os espertos aparecem em todas as correntes ideológicas. No Maranhão, então, os personagens já são conhecidos, têm método, estilo e uma forma própria de fazer política.

E se existe alguém que vem construindo a fama de especialista em ampliar alianças sem necessariamente mantê-las até o fim, esse nome, segundo seus críticos, é Eduardo Braide.

Depois de protagonizar episódios de desgaste político com aliados e interlocutores em 2024, o ex-prefeito de São Luís voltou ao centro dos bastidores por conta da aproximação e do afastamento de nomes que orbitam seu projeto para 2026.

Entre os nomes que passaram a integrar essa narrativa está Lahésio Bonfim.

Segundo relatos de pessoas ligadas ao ambiente político maranhense, Lahésio — que vinha sustentando o discurso de candidatura ao Governo do Maranhão — teria recebido sinais de que poderia integrar futuramente um projeto liderado por Braide. Nos bastidores, circulou a versão de que teria sido discutida a possibilidade de ocupar espaço estratégico em um eventual governo e, mais adiante, disputar uma prefeitura de grande porte em 2028.

Se isso aconteceu exatamente nesses termos ou não, apenas os envolvidos sabem. O fato político observável é que Lahésio reduziu o tom de pré-campanha ao governo, passou a conviver com incertezas partidárias e abriu espaço para interpretações sobre mudança de estratégia.

Para críticos do ex-prefeito de São Luís, esse seria apenas mais um capítulo de um comportamento político que atribuem a Braide: manter múltiplos canais de diálogo abertos, sem necessariamente transformar aproximação em compromisso.

E quem acompanha os bastidores da política maranhense diz que essa narrativa não começou agora.

Antes dos ruídos envolvendo Lahésio, já existiam relatos semelhantes envolvendo outros nomes relevantes da política estadual — aliados e ex-aliados que, em determinado momento, acreditaram ocupar posição privilegiada dentro do grupo político liderado por Braide e depois relataram frustração ou mudança de rota.

Um dos episódios mais comentados nos bastidores envolve o deputado federal Josimar Maranhãozinho.

Segundo interlocutores políticos, durante o processo eleitoral de 2024 houve conversas sobre composição de chapa e eventual participação do PL na estrutura eleitoral de Braide. Entre as versões que circularam nos bastidores estava a possibilidade de indicação do vereador Aldir Júnior para a vaga de vice, substituindo Esmênia Miranda.

No entanto, segundo essa leitura política, o entendimento teria mudado ao longo do caminho e o acordo não teria avançado.

Ainda conforme relatos de bastidor, posteriormente teria surgido outra expectativa envolvendo apoio para a presidência da Câmara Municipal de São Luís — expectativa que também não teria se concretizado.

Entre aliados e observadores próximos do grupo, consolidou-se a percepção de que Josimar teria saído duplamente frustrado do processo político de 2024 após ser enganado por Braide.

Interlocutores sustentam que o desgaste chegou ao ponto de haver uma conversa direta entre os dois líderes, ocasião em que Josimar teria demonstrado insatisfação com Braide por conta de mudanças de posição durante as negociações.

O episódio ganhou contornos ainda mais curiosos porque, segundo fontes políticas, mesmo após os ruídos, pontes teriam voltado a ser construídas.

Na política maranhense, afinal, porta fechada costuma durar até a próxima eleição.

Mas existe uma máxima popular que continua atravessando gerações: quem entra em acordo esperando garantias absolutas precisa lembrar que política não funciona com contrato de confiança registrado em cartório.

No fim das contas, fica a pergunta:

Quem será o próximo a acreditar que está entrando numa aliança estratégica e descobrir depois que o combinado ainda dependia de confirmação?

Porque, para os críticos de Braide, existe uma espécie de mandamento político não escrito:

“Na política, aliado de hoje pode virar espectador amanhã.”

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