Nos bastidores da política maranhense, uma movimentação silenciosa começa a ganhar força e pode redesenhar o cenário eleitoral dos próximos anos. A família Brandão, conhecida por agir com estratégia e antecedência, estaria costurando um acordo político com o prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos, envolvendo cargos, sucessão municipal e a disputa pelo Governo do Estado.
Segundo informações que circulam entre aliados do Palácio dos Leões, a proposta colocaria Maedja Campos, esposa de Fred, como candidata a vice-governadora na eventual chapa encabeçada por Orleans Brandão em 2026. Em contrapartida, Fred Campos renunciaria futuramente ao comando da Prefeitura de Paço do Lumiar, abrindo caminho para que Mariana Brandão, atual vice-prefeita e sobrinha do governador Carlos Brandão, assumisse o cargo.
O acordo ainda teria uma terceira etapa: Fred Campos seria preparado politicamente para disputar a Prefeitura de São Luís em 2028 com apoio do grupo brandonista.
Maedja vira peça estratégica
Após a informação repercutir em blogs alinhados ao governo, o nome de Maedja Campos passou a circular com mais intensidade nos bastidores como opção para compor a chapa majoritária. Jornalista e assistente social, Maedja ainda possui pouca densidade política fora de Paço do Lumiar e quase nenhuma projeção eleitoral na Grande Ilha.
Para críticos, sua eventual indicação seria mais um exemplo de candidatura construída de cima para baixo, sem lastro popular, funcionando como peça de negociação entre grupos políticos. Em vez de lideranças consolidadas no estado, nomes de conveniência estariam sendo empurrados ao eleitor.
Paço do Lumiar no centro do tabuleiro
Poucos percebem que por trás da possível escolha de Maedja existe um objetivo maior: garantir o controle político de Paço do Lumiar para a família Brandão. Com Fred deixando o cargo, Mariana Brandão herdaria a prefeitura e consolidaria o município como base estratégica do grupo governista na Região Metropolitana.
A jogada permitiria ao clã avançar simultaneamente em três frentes: manter Paço do Lumiar sob influência direta, fortalecer Orleans Brandão para o governo e lançar Fred Campos em São Luís no futuro.
Negócio da China
A aproximação entre Brandão e Fred Campos ocorre em meio à repercussão dos altos valores pagos pelo Governo do Maranhão à construtora Qualitech, empresa ligada a Fred e a seu pai, Flávio Henrique da Silva Campos.
Levantamento divulgado pela Coluna do Estadão aponta que, desde abril de 2022, quando Carlos Brandão assumiu definitivamente o governo, a empresa recebeu cerca de R$ 909 milhões em contratos e repasses estaduais.
O valor corresponde a aproximadamente 80% de tudo o que a construtora recebeu do Estado na última década. O crescimento acelerado dos pagamentos gerou questionamentos sobre possível favorecimento político e empresarial.
Outro dado que chama atenção é que dezenas de contratos teriam sido aditivados na atual gestão, com ampliações e prorrogações sem nova licitação. O maior deles, de R$ 65 milhões, foi firmado em 2024, justamente durante o período eleitoral em que Mariana Brandão disputava a vice-prefeitura de Paço do Lumiar ao lado de Fred Campos.
Rede de poder e interesses
Além dos contratos, o caso também reacendeu debates sobre influência familiar no governo estadual. Decisões judiciais anteriores já apontaram suspeitas de nepotismo envolvendo parentes do governador em cargos públicos.
Para opositores, o cenário revela uma engrenagem onde relações familiares, contratos milionários e alianças eleitorais caminham juntas. Já aliados tratam as articulações como movimento natural da política.
O eleitor observa
Se confirmada, a operação mostrará que Paço do Lumiar virou peça-chave no xadrez sucessório do Maranhão. O problema é que, enquanto os grupos negociam cargos e espaços de poder nos bastidores, a população segue esperando respostas para problemas reais.
Na política, até óleo e água se misturam quando o interesse fala mais alto.
