Carlos Brandão demora 24 horas para se pronunciar sobre morte de policial e omite nome do prefeito acusado

Governador do Maranhão adota postura distinta ao tratar crimes envolvendo autoridades políticas e suspeitos da periferia

O governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), levou quase 24 horas para se manifestar publicamente sobre o assassinato do policial militar Geidson Thiago dos Santos, morto com cinco tiros durante uma vaquejada no município de Trizidela do Vale, no último domingo (6). O principal suspeito do crime é o prefeito de Igarapé Grande, João Vitor Xavier (PDT), filho do prefeito de Bernardo do Mearim, Júnior Xavier, e sobrinho do ex-presidente da Famem, Erlânio Xavier — ambos influentes quadros do PDT no estado.

Em nota publicada nas redes sociais, o governador lamentou a morte do policial de forma protocolar, sem citar o nome do prefeito acusado. “Me solidarizo com os familiares e amigos do policial militar Geidson Thiago dos Santos, do 19º Batalhão de Pedreiras, que teve sua vida interrompida no último domingo (6), em Trizidela do Vale. Estendo meu abraço fraterno à corporação por essa perda. O suspeito do crime se entregou à polícia. Nossas forças de segurança pública vão apurar as motivações do caso”, escreveu Brandão.

A ausência de referência direta ao acusado — que é uma autoridade pública — gerou críticas nas redes sociais e entre membros da própria Polícia Militar, sendo vista como uma tentativa de blindagem política. A postura contrasta com outras manifestações do governador em casos semelhantes. Veja o tratamento dado a dois crimes iguais.

Em maio deste ano, após a execução do major André Felipe dos Santos de Carvalho, no bairro São Francisco, em São Luís, Carlos Brandão fez questão de classificar o crime como “covarde” e prometeu rigor nas investigações, destacando que os suspeitos seriam capturados com brevidade. No caso atual, apesar da gravidade do crime e da comoção gerada, a manifestação do governador foi mais amena e tardia.

A reação de Brandão alimenta a percepção de que o tratamento dado a casos de violência envolvendo agentes públicos varia de acordo com o perfil social e político dos envolvidos. Enquanto crimes cometidos por cidadãos comuns recebem respostas imediatas e veementes por parte do governo, quando o autor é um aliado político, a resposta é protocolar, cautelosa e, em alguns casos, omissiva.

A falta de menção ao nome do prefeito João Vitor Xavier, que se apresentou à polícia e foi liberado após depoimento, levanta questionamentos sobre o comprometimento das autoridades estaduais com a transparência e a isonomia na aplicação da lei. Há ainda rumores de que membros da família Xavier, historicamente ligados ao PDT — partido da base do governo federal — articulam nos bastidores para evitar a cassação do prefeito e reduzir os danos políticos do episódio.

A situação também remete ao caso de 2022, quando o empresário João Bosco foi assassinado na região da Ponta do Farol, em São Luís, e o nome do sobrinho do governador, Daniel Brandão, foi citado como supostamente presente na cena do crime. À época, o governo também foi acusado de silenciar diante da gravidade dos fatos.

Diante da repercussão nacional do caso envolvendo o assassinato do PM Geidson Thiago, resta saber se as instituições de controle, como o Ministério Público e a Justiça do Maranhão, vão adotar medidas para garantir que o crime não fique impune — independentemente do sobrenome ou do cargo do acusado.

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