A reportagem publicada nesta semana pelo Estadão escancarou as entranhas de uma aliança incômoda: o elo financeiro entre o governador Carlos Brandão (PSB) e a construtora Qualitech, de propriedade do prefeito de Paço do Lumiar, Fred Campos. Um detalhe que transforma o caso em um verdadeiro conflito de interesses: a vice-prefeita da cidade é Mariana Brandão, sobrinha do governador. Ou seja, o escândalo não envolve apenas cifras bilionárias — envolve uma estrutura de poder familiar que começa a se parecer, cada vez mais, com uma oligarquia em plena formação.
De acordo com a reportagem, a Qualitech recebeu quase R$ 1 bilhão do governo do Maranhão apenas nos últimos três anos, já sob o comando de Brandão. É um salto estratosférico em relação ao que a empresa faturou na gestão anterior. Quando os contratos começaram a chamar atenção da imprensa e dos órgãos de controle, a reação do Palácio dos Leões foi imediata: lavar as mãos.
A nota oficial do governo não trouxe explicações convincentes. Limitou-se a dizer que os repasses se referem a obras de gestões anteriores e tentou isolar a Qualitech como única responsável pelos contratos. Brandão, com frieza cirúrgica, tratou de deixar Fred Campos à própria sorte — mesmo sabendo que sua queda pode significar a ascensão de Mariana Brandão à cadeira de prefeita.
A mensagem é clara: “se vira, Fred, porque agora eu preciso proteger os meus”. Brandão optou por sacrificar o aliado para blindar a família. Uma decisão calculada, típica de quem já traçou suas prioridades há muito tempo: sangue, acima de tudo.
Essa postura não é novidade para quem conhece os bastidores da política maranhense. Em 2022, o governador descartou sem cerimônia Paula Azevedo (Paula da Pindoba) — antiga aliada e prefeita de Paço — para favorecer justamente Fred Campos, o novo aliado que traria Mariana como vice. A movimentação, na época, foi tratada como uma jogada estratégica. Hoje, se revela parte de um plano mais amplo de perpetuação familiar no poder.
Para Brandão, lealdade é via de mão única. Ele cobra, mas não oferece. Usa, depois descarta. A fidelidade exigida de aliados não é a mesma dedicada por ele. E Fred Campos, que já foi instrumento útil, agora parece ser o próximo obstáculo a ser removido — se necessário, com o aval silencioso de quem manda no Palácio dos Leões.
Fica o recado para quem ainda acredita em compromisso ou gratidão dentro desse grupo político: a cadeira de prefeito pode ter dono, mas o controle real está em outra casa — e atende pelo nome de Brandão.
