A comunicação institucional da Assembleia Legislativa do Maranhão teria sido utilizada, nesta terça-feira (16), para repercutir acusações feitas pelo deputado estadual Yglésio (PRTB) contra o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB). O episódio levantou críticas sobre o possível uso da estrutura oficial da Alema para fins políticos alinhados ao Palácio dos Leões.
Durante pronunciamento em plenário, Yglésio citou reportagem publicada pelo jornalista Cláudio Humberto, no Diário do Poder, que apontava o repasse de R$ 1 milhão em emendas parlamentares de Jerry, em 2023, para a empresa Fênix Serviços e Construção Ltda., de propriedade de seu filho, Caetano Barroso. Segundo a publicação, a contratação ocorreu três meses após Barroso adquirir a empresa, que também teria recebido R$ 2 milhões naquele mesmo ano, ultrapassando o valor previsto em contrato.
No discurso, o deputado estadual ampliou as críticas, citando ainda o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, aliado de Márcio Jerry. “Será que ele [Dino] vai vetar as emendas do deputado Márcio Jerry, que voltaram para pagar recursos para a empresa do filho do deputado Márcio Jerry, que é empregador da esposa do ministro Flávio Dino?”, questionou.
Logo após a fala, o Departamento de Comunicação da Assembleia teria disparado matéria sobre o caso e enviado o conteúdo a veículos e blogueiros locais. O texto foi reproduzido igualmente em diversos sites em um intervalo de meia hora, reforçando a narrativa apresentada pelo parlamentar. Fontes bem posicionadas afirmam que o texto venenoso chega via WhatsApp aos parceiros da blogosfera.
A suposta iniciativa da comunicação da Alema gerou críticas de opositores, que veem na prática um alinhamento direto da presidência da Casa, sob Iracema Vale (PSB), aos interesses políticos do governo Carlos Brandão.
Enquanto apenas jornalistas independentes mantiveram firmeza e recusaram publicar o release supostamente fabricado nos porões do Parque Rangedor, a maioria da imprensa maranhense, temendo perder patrocínio, acabou repercutindo o ataque encomendado contra o opositor de Carlos Brandão.
Na prática, a gestão de Iracema Vale na Assembleia Legislativa funciona assim: trabalhe para a Casa e, de quebra, beneficie o governador. O jornalismo, nesse modelo, vira extensão da assessoria de Brandão — e quem não se enquadra, corre o risco de perder a parceria institucional.
