Deputados estaduais da oposição ao governo de Carlos Brandão (PSB) ingressaram com uma ação na Justiça solicitando a devolução de mais de R$ 1 milhão supostamente gastos em uma viagem a Paris, que ficou conhecida entre os opositores como “Farra de Paris”.
O deputado Rodrigo Lago (PCdoB) divulgou em suas redes sociais um vídeo com críticas ao uso de recursos públicos. Segundo ele, enquanto o estado enfrenta problemas de infraestrutura, saúde e segurança, o governo teria utilizado dinheiro público para custear despesas da viagem.
“Enquanto a educação pede socorro, a saúde está um caos, falta segurança pública e as estradas isolam comunidades, o governo gasta milhões com luxo para poucos”, escreveu o parlamentar.
De acordo com Rodrigo Lago, a ação foi proposta por ele em conjunto com os deputados Carlos Lula (PSB) e Othelino Neto (SDD), pedindo que o governador Carlos Brandão devolva aos cofres do Maranhão o valor referente às despesas contestadas.
Os parlamentares sustentam que Brandão teria usado eventos “que não exigiam a sua presença” como desculpa para a viagem, cujo período incluiu o aniversário do governador, em 2 de junho.
Os deputados que assinaram a ação, que também responsabiliza três servidores estaduais, uma agência de turismo e o próprio Estado do Maranhão. Segundo a denúncia, Brandão teria confirmado a ida em evento da Organização Mundial de Saúde Animal, voltado para autoridades da Agência Estadual de Defesa Agropecuária, realizado em Paris de 25 a 29 de maio.
O governo do Maranhão já se manifestou oficialmente por meio de nota sobre a ação judicial e sobre as acusações feitas pelos parlamentares e justificou a viagem a Paris.
Em resposta, o governo estadual disse que a missão em Paris incluiu o recebimento do Certificado de Brasil e Maranhão Livre de Aftosa, evento que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Executivo afirmou que o convite partiu do Ministério da Agricultura e Pecuária e foi direcionado a Brandão, contrariando a alegação dos deputados.
A assessoria detalhou que a agenda oficial começou em 3 de junho, com visita à sede da Unesco, em preparação para a entrega de títulos ao Maranhão que reconhecem o Bumba Meu Boi como patrimônio cultural e os Lençóis Maranhenses como patrimônio natural. Essas certificações foram formalizadas em cerimônia realizada em 14 e 15
de agosto.
Outras atividades oficiais incluíram visita técnica à IFP Energies Nouvelles, em 4 de junho, e reunião com a empresa sueca Stegra, acompanhada por representantes da Vale, em 5 de junho. A programação foi encerrada, no dia 6, com a cerimônia internacional que reconheceu o Maranhão livre da aftosa sem vacinação, promovida pela Organização Mundial de Saúde Animal.
O governo informou que todas as agendas foram divulgadas nas redes sociais e reiterou transparência e responsabilidade. “O Governo do Estado repudia as tentativas de distorção dos fatos por parte de parlamentares, alguns dos quais já foram obrigados a pedir desculpas publicamente por disseminar informações falsas em canais digitais”, afirmou em nota.
