Governador Carlos Brandão autoriza escolta policial para presidente do TCE-MA, Daniel Brandão

Medida gera críticas sobre prioridades na segurança pública, já que Daniel Brandão é sobrinho do governador Carlos Brandão.

A destinação de quatro policiais militares para a segurança pessoal de Daniel Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador Carlos Brandão, provocou críticas de parlamentares da oposição e reacendeu o debate sobre as prioridades da segurança pública no estado.

A medida foi autorizada por meio de projeto encaminhado pelo Governo do Estado e aprovado pela maioria governista na Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema). A decisão ocorre em um contexto de reclamações recorrentes da população sobre o aumento da criminalidade e a sensação de insegurança em São Luís e no interior do estado.

O deputado estadual Othelino Neto (Solidariedade) se manifestou publicamente contra a autorização, utilizando as redes sociais para criticar o deslocamento de policiais das ruas para a proteção de uma autoridade ligada à família do governador.

“Imaginem quatro policiais sendo retirados das ruas para fazer a segurança do sobrinho do governador, hoje presidente do Tribunal de Contas do Estado. Foi exatamente isso que o governador Carlos Brandão propôs à Assembleia Legislativa”, afirmou o parlamentar.

Segundo Othelino Neto, a bancada de oposição votou contra a proposta. “Nós, da oposição, votamos contra esse projeto. Alertamos e denunciamos, mas, infelizmente, a maioria governista aprovou a medida”, declarou.

O deputado argumenta que a decisão contraria o interesse coletivo em um momento de fragilidade da segurança pública. “Segurança pública deve servir ao povo e não atender a interesses familiares”, concluiu.

Contexto e esclarecimentos

Daniel Itapary Brandão ocupa atualmente a presidência do TCE-MA, órgão responsável pela fiscalização das contas públicas estaduais e municipais. Até o momento, não houve manifestação oficial do Governo do Estado ou do Tribunal de Contas detalhando os critérios técnicos utilizados para a concessão da escolta policial.

O nome de Daniel Brandão já foi citado anteriormente em investigações relacionadas ao assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em agosto de 2022, no bairro Ponta do Farol, em São Luís. Em depoimento à Justiça, Gibson Cutrim, autor confesso do crime, mencionou autoridades e terceiros ao relatar circunstâncias do caso. As declarações, no entanto, seguem sob análise judicial e não resultaram, até o momento, em condenação ou responsabilização de Daniel Brandão.

O processo continua tramitando na Justiça, e Gibson Cutrim já foi condenado pelo homicídio do empresário.

A reportagem mantém espaço aberto para manifestações do Governo do Maranhão, do Tribunal de Contas do Estado e dos citados no texto, caso queiram se posicionar sobre o tema.

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