Informações obtidas pelo Portal G7 indicam que o Governo do Maranhão, sob a gestão do governador Carlos Brandão, estaria negociando uma ampla parceria institucional com o Grupo Difusora de Comunicação para o ano de 2026, com previsão de investimento público que pode chegar a R$ 30 milhões. As tratativas envolveriam não apenas a veiculação de conteúdo institucional, mas também mudanças na condução administrativa e editorial do grupo.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, o secretário de Estado da Comunicação, Sérgio Macedo, seria o responsável por coordenar essa relação a partir de janeiro de 2026, exercendo influência direta na gestão do grupo até o fim do período eleitoral.
Histórico de instabilidade e relações políticas
O Grupo Difusora, um dos mais tradicionais conglomerados de comunicação do Maranhão, atravessa sucessivas mudanças de controle e de orientação editorial desde que deixou o comando da família Bacelar. Sob a administração da família Cafeteira, o grupo teve uma passagem curta e marcada por dificuldades financeiras, atribuídas, à época, ao forte envolvimento político.
Posteriormente, já sob o controle da família Lobão, as emissoras viveram períodos de instabilidade. A TV Difusora chegou a ser arrendada a grupos políticos, enquanto a rádio AM foi cedida à Igreja Universal. Nesse período, apenas a Difusora FM conseguiu manter sustentabilidade financeira por meio de publicidade comercial.
Em 2016, conforme relatos do mercado, o grupo teria sido arrendado ao senador Weverton Rocha, que passou a utilizar os veículos como plataformas políticas. Profissionais e ex-funcionários relataram sucateamento das emissoras, redução de investimentos e demissões em massa.
Venda indireta e crise financeira
Sem condições de reestruturar o grupo, o empresário Lobão Filho teria negociado a venda da Difusora a Weverton Rocha, que teria ficado apenas nos bastidores. Formalmente, no entanto, a empresa passou a constar em nome de terceiros, entre eles a irmã do advogado Willer Tomaz, que também adquiriu a rádio Nova FM, posteriormente rebatizada como Difusora News FM.
Em 2022, o Grupo Difusora enfrentou uma das maiores crises financeiras de sua história, agravada pelo rompimento político entre Weverton Rocha e o ex-governador Flávio Dino, o que teria impactado diretamente o volume de verbas institucionais oriundas do Palácio dos Leões.
Diante do cenário, Willer Tomaz, que aparece como CEO da empresa, contratou o empresário e radialista Léo Felipe para assumir a gestão do grupo. Em pouco tempo, Léo promoveu mudanças na programação, reorganizou a estrutura administrativa e reposicionou a Difusora no mercado de comunicação maranhense, recuperando audiência e credibilidade no mercado publicitário. Léo deixou a empresa em junho de 2025.
Reaproximação política e novas articulações
Após a saída de Léo Felipe da direção do grupo, o senador Weverton Rocha, que não aparece como dono, mas sempre deu as cartas na Camboa, se reaproximou politicamente do governador Carlos Brandão, passando inclusive a defender publicamente a pré-candidatura de Orleans Brandão ao governo do Estado, discurso que contrastou com posicionamentos anteriores do parlamentar contra a perpetuação de grupos familiares no poder.
Dias depois dessa movimentação política, o Portal G7 recebeu informações de que o Governo do Maranhão teria avançado nas negociações com o Grupo Difusora para formalizar uma parceria estratégica em 2026, com valores que podem alcançar R$ 30 milhões em recursos públicos.
Mudanças internas e novas contratações
Ainda segundo fontes, diversas reuniões entre representantes do governo estadual e a direção do Grupo Difusora teriam ocorrido no bairro da Camboa, em São Luís. Com o acordo encaminhado, o secretário Sérgio Macedo teria solicitado a contratação do publicitário Márcio Fontinha para o cargo de diretor-geral do grupo, indicação que foi atendida.
Fontes do setor também relatam que outros profissionais teriam sido convidados para integrar a emissora nos próximos meses, entre eles Amanda Couto, Sidney Pereira, Daniela Bandeira, Ana Guimarães e outros. Até o momento, não há confirmação oficial sobre assinaturas de contrato. O jornalista Giovani Spinucci também teria sido sondado, mas não teria formalizado vínculo.
As possíveis novas contratações levantam questionamentos internos sobre reestruturações na equipe atual e eventuais desligamentos, tema que ainda não foi esclarecido pela direção da empresa.
Falta de posicionamento oficial
A reportagem procurou o Grupo Difusora, o Governo do Maranhão e o secretário Sérgio Macedo para confirmar as informações sobre valores, formato da parceria e eventual ingerência administrativa na emissora, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.
O espaço permanece aberto para manifestação de todos os citados.
