Se a população de São Luís demonstrar maturidade política, como fez na eleição em que Edivaldo Holanda Júnior venceu Castelo, o prefeito Eduardo Braide certamente será exonerado pelo eleitorado ludovicente este ano. Gastando muita grana em obras apenas para estampar publicidade nas redes sociais, Eduardo Braide peca ao tentar imitar seu ex-chefe João Castelo, fazendo aquilo que os ludovicenses já mostraram em 2012 não aceitar: obras eleitoreiras para tentar enganar a população.
Para quem não sabe, João Castelo trabalhou nos dois primeiros anos de seu governo, 10 vezes mais que Braide, mas esfriou no terceiro ano e esperou o último ano de mandato para espalhar borra de asfalto nas ruas da periferia, inventar um tal VLT, que ainda dá prejuízo aos cofres do município na tentativa de enganar os ludovicenses em ano eleitoral.
Braide parece ter achado o rascunho de Castelo e tenta fazer o mesmo, pintando escolas, e dizendo que é nova, reformando hospital e falando que está construíndo, retirando retorno de avenidas e tranferindo os engarramentos para dentro dos bairros, pintando asfalto e dizendo que é “Asfalto Novo”, anunciando construção de elevado, obra que custará R$32 milhões, mesmo sabendo que se terminar, a obra só seria inaugurada daqui há 2 anos, cadastrando pacientes numa afila de espera da Cemarc para evitar tumultos na porta da Apae (o paciente espera meses em casa por uma consulta ou exame), além de deixar milhares de crianças fora da escola.
Por ser ano de eleição, Braide tem ocupado suas redes sociais para passar a impressão que está trabalhando pela cidade, mas na verdade, os contratos milionários são assinados, mas as obras não avançam. O exemplo nítido é o hospital Veterinário, localizado no bairro Vila Izabel, que mesmo sem a conclusão da obra, a empresa para gerenciar a verba já teria sido licitada, algo meio estranho, mas muito comum na gestão do prefeito Eduardo Braide.
As obras de pavimentação asfáltica realizada pela gestão Braide não colaboram com a equipe de marketing do prefeito, já que a validade do serviço dura em média 60 dias e os buracos, muitos virando cratera aparecem nas principais avenidas da cidade. Um exemplo é a avenida 4 do bairro Cohab, que foi pavimentada, mas o asfalto derreteu e os buracos voltaram a dar prejuízos aos motoristas.
Nas redes sociais Braide arrota que está realizando centenas de obras na cidade, chegou a falar em 400 na semana passada. Faltando pouco mais de 200 dias para deixar o posto de prefeito teria que entregar cerca de duas obras por dia até o final do ano, de domingo a domingo. O problema é que a população não consegue descobrir onde estas obras estão sendo realizadas.
Cabe ressaltar que, pintar escola não é obra, e o próprio Ministério Público afirma isso. Em conversa com o jornalista Eduardo Ericeira, o promotor da educação, Lindonjonson Gonçalves de Sousa, confirmou que certos serviços não podem ser considerados como obras por parte do poder público. Pintar uma escola, reformar uma quadra, ajeitar um banheiro em um prédio já existente, não pode ser considerada uma obra. O promotor ressaltou que uma obra, de fato, para garantir o avanço na educação, uma melhoria para comunidade escolar, um algo a mais para pais e estudantes que vivem em São Luís, seria a construção de escolas, por exemplo. Braide tem apresentado é somente reformas, deixando alunos sem aulas, como se isso fosse um grande feito, prática que foi rebatida pelo próprio Ministério Público, órgão de fiscalização.
A mudança no trânsito, a tentativa de melhorar a mobilidade urbana da cidade, é outra pedra no sapato de Eduardo Braide. Em algumas partes ele invadiu terrenos, áreas privadas, calçadas de igrejas, simplesmente para mostrar que tem poder e estaria fazendo algo pelos ludovicenses. Na verdade, Braide só conseguiu fazer intervenção no trânsito sem invadir terrenos privados na avenida dos Holandes, principalmente em frente do terreno de seu primo. Lá ele não mexeu.
Sem querer demonstar fragilidade, Eduardo Braide já foi avisado que sua reeleição está comprometida, isso porque o prefeito de São Luís teve uma gestão descompromissada com o servidor público, com moradores da periferia, cheia de escândalos de possível corrupção e agora, tenta a qualquer custo, mostrar que está fazendo alguma coisa, mesmo não fazendo o básico nos últimos anos, como havia prometido em campanha.
Se o eleitorado de São Luís pensar, e olhar para trás o que sofreu no transporte público, nas filas dos hospitais, nas escolas e nas ruas da cidade, Braide precisa estar PRONTO para dar adeus ao Palácio La Ravardiere no próximo dia 31 de dezembro deste ano. A urna ainda é a principal arma do eleitor.
Por Eduardo Ericeira
