Prefeito Kabão homologa mais de R$ 11 milhões em obras; escola com cinco salas está orçada em quase R$ 8 milhões

Valores homologados pela Prefeitura de Cantanhede chamam atenção pelo custo previsto para construção de unidade escolar padrão FNDE.

A Prefeitura de Cantanhede, administrada pelo prefeito Zé Martinho, conhecido como Kabão, homologou duas licitações que, juntas, somam mais de R$ 11,2 milhões em investimentos públicos destinados à área da educação. O ponto que mais tem gerado questionamentos é o valor previsto para a construção de uma escola com apenas cinco salas de aula, cujo contrato foi homologado em R$ 7.990.000,00 (Sete milhões, novecentos e noventa mil reais).

De acordo com os dados divulgados, o contrato prevê a construção de uma escola de educação integral no padrão do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). Já a segunda licitação homologada contempla a construção de uma creche infantil, também no padrão FNDE, ao custo de R$ 3.277.919,33. Somadas, as duas obras alcançam R$ 11.267.919,33 (Onze milhões, duzentos e sessenta e sete mil, novecentos e dezenove reais e trinta e três centavos).

Os valores têm provocado debates no município sobre critérios de investimento e prioridades administrativas. Cantanhede possui cerca de 24 mil habitantes e ainda enfrenta desafios em áreas como saúde, infraestrutura urbana, saneamento e mobilidade, o que levou parte da população a questionar o custo projetado para uma unidade escolar com capacidade considerada limitada.

Outro aspecto que desperta atenção é o fato de a mesma empresa ter vencido as duas concorrências, concentrando contratos superiores a R$ 11 milhões. Embora a concentração contratual, por si só, não represente irregularidade, especialistas em gestão pública costumam destacar a importância da ampla concorrência e da demonstração de vantajosidade econômica para a administração.

Nesse contexto, surgem perguntas que tendem a ganhar espaço no debate público: quantas empresas participaram dos processos licitatórios, quais descontos foram apresentados durante a disputa e se os valores homologados estão alinhados aos parâmetros técnicos e de mercado para obras desse porte.

A aplicação dos recursos públicos exige não apenas conformidade legal, mas também transparência, planejamento e prestação de contas. Em contratos de grande valor, especialmente em municípios de menor porte, o detalhamento técnico dos custos e a publicidade dos processos são instrumentos fundamentais para fortalecer a confiança da população e permitir o acompanhamento pelos órgãos de controle e pela sociedade.

Até o momento, não há informação pública de irregularidade reconhecida nos processos licitatórios, mas os valores e critérios adotados tendem a permanecer sob observação e debate no município.

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