Uma denúncia apresentada pelo deputado estadual Rodrigo Lago, durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema), trouxe à tona suspeitas de interferência política e irregularidades administrativas na Secretaria de Estado da Cultura (SECMA). Segundo o parlamentar, Audreia Noleto, esposa de Marcus Brandão — irmão do governador Carlos Brandão — estaria atuando nos bastidores da pasta, mesmo sem ocupar cargo oficial no governo.
De acordo com Lago, além da suposta influência de Audreia Noleto nas decisões internas da secretaria, há indícios de favorecimento em licitações milionárias relacionadas à organização do Carnaval. “Uma empresa teria apresentado proposta de R$ 15 milhões e outra de R$ 25 milhões para realizar o mesmo evento, sendo escolhida justamente a de maior valor”, afirmou o deputado.
O caso repercutiu entre parlamentares de oposição. O deputado Othelino Neto (SD) destacou a denúncia no Plenário da Alema e utilizou suas redes sociais para cobrar investigação e transparência sobre o episódio. “A denúncia é gravíssima e levanta sérias dúvidas sobre a gestão da Cultura no governo Brandão. O Maranhão não pode normalizar esse tipo de relação. É preciso apurar e responsabilizar quem quer que seja”, destacou Othelino.
Nos bastidores da Alema, a denúncia reacendeu o debate sobre a autonomia do Legislativo e o papel fiscalizador dos deputados estaduais. Críticos afirmam que a Casa tem atuado de forma submissa ao Palácio dos Leões, sob comando político do governador. “Com uma base governista composta por mais de 30 parlamentares, qualquer tentativa de investigação é rapidamente abafada”, comentou um assessor ouvido pela reportagem.
Até o fechamento desta matéria, o Governo do Estado e a Secretaria de Cultura não haviam se manifestado oficialmente sobre as denúncias. O caso precisa ser investigado pelo Ministério Público, mas o mesmo órgão já arquivou denúncia idêntica a essa sobre suposto subfaturamente na compra de ambulâncias.
