O estado de conservação das rodovias maranhenses voltou ao centro do debate após a divulgação de um relatório da Confederação Nacional do Transporte (CNT), que aponta duas estradas do Maranhão entre as dez piores do Brasil. O levantamento, referente a 2025 e divulgado pela TV Mirante, expõe um cenário considerado crítico por especialistas, usuários e parlamentares.
De acordo com a CNT, a MA-006, no trecho entre Cururupu e Pinheiro, que dá acesso a pelo menos dez municípios do Litoral Ocidental Maranhense, ocupa o 1º lugar no ranking nacional das piores rodovias. Já a MA-106, entre Governador Nunes Freire e Alcântara, aparece na 2ª posição, mesmo após intervenções recentes classificadas por críticos como paliativas.
O deputado estadual Othelino Neto tem feito reiteradas cobranças ao governo do Maranhão sobre a situação das rodovias estaduais e denunciado o que chama de maquiagem asfáltica, sem soluções estruturais. Segundo o parlamentar, o Executivo estadual ignora a gravidade do problema, enquanto deputados da base governista evitam o debate.
“Estou falando de rodovias essenciais para a vida das pessoas: para quem precisa se deslocar diariamente, para o acesso à saúde, para o escoamento da produção e para o desenvolvimento do Maranhão. Essa realidade não é nova. É uma reclamação antiga de quem passa todos os dias por essas estradas, perde tempo, coloca a própria segurança em risco e sofre com o abandono”, afirmou Othelino Neto.
O relatório da CNT destaca que a falta de investimentos consistentes em infraestrutura viária é um dos principais fatores para o colapso da malha rodoviária estadual. Para Othelino, o fato de o Maranhão figurar nas duas primeiras posições do ranking negativo é reflexo direto da política adotada pelo governo Carlos Brandão.
“O Maranhão aparece, vergonhosamente, em 1º e 2º lugares entre as piores rodovias do país. Isso é inaceitável”, escreveu o parlamentar em manifestação pública.
Na Baixada Maranhense, motoristas e moradores relatam diariamente os impactos do abandono das estradas, com prejuízos econômicos, riscos à segurança e dificuldades de acesso a serviços básicos. Um exemplo recente é a MA-014, no trecho entre São Bento e São Vicente Ferrer, que chegou a ser anunciada pelo governo como “quase pronta”, com reinauguração prevista para dezembro.
No entanto, após as primeiras chuvas, a rodovia voltou a apresentar buracos, atoleiros e trechos intrafegáveis, frustrando usuários e evidenciando a fragilidade das intervenções realizadas.
“É assim que se entende por que milhões de reais somem em contratos com empreiteiras, enquanto o dinheiro que deveria garantir uma estrada digna é desviado do seu verdadeiro destino. O resultado é prejuízo para quem trabalha, risco para quem trafega e desrespeito com a população da Baixada Maranhense. A MA-014 precisa de solução de verdade, não de maquiagem para inauguração”, denunciou Othelino Neto.
Além da MA-014, rodovias que dão acesso a municípios como Pedro do Rosário, Presidente Sarney, Palmeirândia, Peri Mirim, Bacurituba, entre outros, permanecem em situação precária. Segundo críticos, o tema recebe pouca atenção na Assembleia Legislativa, onde a maioria governista evita críticas à gestão estadual, mesmo diante das reclamações constantes da população.
