A eleição da nova Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Maranhão expôs, mais uma vez, a fragilidade do governo Carlos Brandão e a dificuldade da presidente Iracema Vale em articular apoio sólido entre os parlamentares. Muitos deputados sustentam a defesa do Palácio apenas para não perder cargos, manter a rede de cabos eleitorais e garantir fôlego para a disputa de 2026.
Um exemplo claro é o deputado Yglésio Moyses. Em entrevista a Rogério Cafeteira, o parlamentar negou ter declarado apoio a Orleans Brandão — sobrinho do governador —, apesar de já ter defendido a candidatura do filho de Marcus Brandão na própria tribuna da Assembleia.
A declaração, que pode ter surpreendido apenas o governador, não causou espanto à imprensa. Yglésio já era visto como um “vira-folha”: eleito na base de Flávio Dino e Lula, o deputado rapidamente assumiu um discurso bolsonarista após conquistar o mandato — um movimento que nem a ciência política consegue explicar.
A postura acende o alerta vermelho no Palácio dos Leões. A fala de Yglésio evidencia que até mesmo dentro da base governista há pouca crença na candidatura de Orleans Brandão. De olho nas pesquisas que colocam Eduardo Braide na liderança, o deputado parece pronto para abandonar o ferryboat dos Brandão e buscar vaga no navio do prefeito de São Luís.
A justificativa de Yglésio para a guinada é pragmática: segundo ele, seu eleitorado se identifica muito mais com o perfil de Eduardo Braide do que com o projeto encampado pelo governo estadual. Orleans, vale lembrar, nunca trabalhou fora da sombra da família. Seu primeiro emprego foi justamente como secretário no governo do tio.
Embora mantenha um discurso de “respeito institucional” a Carlos Brandão, especialmente para não perder cargos e assegurar o repasse de emendas parlamentares, Yglésio garantiu não ter firmado compromisso com a candidatura de Orleans — mesmo após defendê-la abertamente na tribuna.
A movimentação expõe a fragilidade do governador dentro da Assembleia. Fontes ligadas ao Parlamento afirmam que até mesmo Mical Damasceno, também bolsonarista e aliada circunstancial de Brandão, já se articula para disputar vaga de deputada federal ao lado de Eduardo Braide. Se o ferryboat do Palácio der prego, a debandada pode transformar os leões em passageiros de qualquer canoa que aparecer pelo caminho.
De acordo com fontes do G7 no Parque do Rangedor, a insistência da família Brandão em impor Orleans como candidato, sem sequer unificar sua base, tem irritado aliados históricos. O risco de uma deserção em massa é real e já preocupa o Governador e a Presidente da Assembleia.
A pergunta que paira no ar é inevitável: sem o uso ostensivo da máquina pública e a distribuição de cargos a familiares, Brandão teria condições de garantir apoio político sequer em Colinas, sua cidade natal? A derrota simbólica na eleição da Assembleia continua a assombrar o Palácio dos Leões.
No fim das contas, resta saber quem será o último a apagar a luz e jogar a chave do Palácio na baía de São Marcos.
