A empresa Agla’s Infraestrutura Ltda., citada em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), criou um perfil no Instagram às pressas nesta sexta-feira (20), em meio à repercussão da reportagem publicada pelo portal Metrópoles, assinada pelo jornalista Tácio Lorran.
A criação da conta ocorreu por volta das 17h, no mesmo período em que o caso ganhava ampla divulgação nacional. O timing chamou atenção porque a empresa é alvo de questionamentos no âmbito de auditoria relacionada a obra pública de R$ 235 milhões executada pelo Governo do Maranhão com recursos federais.
Logo após a criação, o perfil passou a exibir diversas publicações institucionais feitas praticamente no mesmo horário, com identidade visual estruturada, vídeos e fotos de maquinário pesado identificado com a marca da empresa. Até a dona da Agla’s Infraestrutura aparece no vídeo uniformizada com a logomarca da empresa, na tentativa de demonstrar credibilidade.
Contexto da investigação
A Agla’s Infraestrutura foi mencionada em relatório técnico do TCU que apontou indícios de irregularidades na subcontratação para atuação em obra pública estadual. Entre os pontos citados estão dúvidas quanto à capacidade operacional da empresa e inconsistências verificadas durante fiscalização presencial, incluindo ausência de funcionários identificados como vinculados à companhia no canteiro de obras.
A reportagem do Metrópoles destacou ainda que a empresa foi criada em 2004, está registrada em nome de uma servidora pública estadual, mas só foi ativada em fevereiro de 2021, situação que também é objeto de análise nas investigações.
Segundo o TCU, as apurações ainda estão em andamento e não há decisão definitiva até o momento. O órgão avalia possíveis responsabilizações administrativas após análise das oitivas.
Movimentação digital levanta questionamentos
Outro ponto observado é que, logo após sua criação, o perfil da empresa passou a seguir apenas três contas: a Secretaria de Estado da Infraestrutura do Maranhão, comandada por Aparício Bandeira, o Governo do Maranhão, comandado por Carlos Brandão e a própria titular da empresa, Aglai Fernanda Cruz.
A criação repentina da conta, acompanhada de publicações institucionais em série, ocorre no momento em que a empresa enfrenta maior escrutínio público. Embora não haja irregularidade em manter presença digital, a ausência anterior de histórico nas redes sociais — mesmo com alegação de anos de atuação no setor — passou a integrar o debate público sobre transparência e capacidade técnica.
Até o momento, não houve manifestação detalhada da empresa nas redes sociais sobre os apontamentos específicos mencionados na auditoria nem esclarecimento formal sobre o momento escolhido para a criação do perfil. Minutos após criar a rede social, a empresa tentou explicar o acontecido por meio de nota. Veja abaixo.
Caso segue em análise
As investigações do Tribunal de Contas da União continuam em andamento. O caso ganhou repercussão nacional após a publicação da reportagem e passou a ser acompanhado com maior atenção por órgãos de controle e pela opinião pública.
A eventual responsabilização ou arquivamento dependerá da conclusão das análises técnicas e jurídicas conduzidas pelo órgão fiscalizador.
