Um vídeo gravado por Cesar Cutrim, pai de Gilbson Cutrim Júnior, trouxe novos desdobramentos ao chamado Caso Tech Office, que resultou na morte de João Bosco, em 19 de agosto de 2022, na frente do edifício localizado no bairro Ponta do Farol, em São Luís. Gilbson Júnior, autor confesso do crime, já foi condenado a mais de 13 anos de prisão. No entanto, as declarações recentes de Cesar Cutrim colocam em evidência uma possível negociação envolvendo o nome de Daniel Itapary Brandão, presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) e sobrinho do governador Carlos Brandão. Veja o vídeo na íntegra abaixo.
No vídeo, Cesar Cutrim afirma que teria havido um acordo com Marcos Brandão, tio de Daniel, para que Gilbson Júnior não mencionasse o presidente do TCE-MA em depoimento, identificando-o como o “Careca” que estaria no local do crime. Em troca, haveria repasses financeiros por meio de patrocínios da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) e da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema).
Documentos obtidos pelo Portal G7 mostram que a Alema, sob a presidência de Iracema Vale, firmou Pedidos de Inserções (PI) no valor mensal de R$ 18.750,00 com o jornal Itaqui-Bacanga, de propriedade de Cesar Cutrim. Caso o acordo tenha sido iniciado em janeiro de 2023, os repasses podem ter alcançado aproximadamente R$ 500 mil até junho deste ano, quando o acordo foi rompido. Os PI’s foram intermediados pela empresa Clara Comunicação, contratada pela Assembleia.
A Emap também aparece na denúncia. Segundo os documentos obtidos pelo G7, a empresa CCA Comunicação e Propaganda, seria a responsável por repasses de R$ 12 mil mensais ao mesmo jornal de Cesar Cutrim, pai de Gilbson Júnior.
A acusação feita por Cesar Cutrim reforça suspeitas de que agências de comunicação dentro da Assembleia Legislativa estariam sendo utilizadas para blindar a família Brandão e, ao mesmo tempo, financiar ataques a parlamentares de oposição no Maranhão.
O Portal G7 solicitou posicionamento oficial da Assembleia Legislativa e da Emap sobre os supostos contratos e repasses de verbas ao Jornal Itaqui bacanga, mas até o momento não obteve resposta.
