Com a assinatura da ordem de serviço para requalificação da MA-203, também conhecida por avenida dos Holandeses, no trecho que corta diversos bairros da região do Araçagy, o governador Carlos Brandão encerrou de uma vez por toda o projeto falido denominado #BRTHolandeses, idealizado no final do primeiro governo de Flávio Dino.
Em 2017, foi anunciada a implantação daquilo que seria “um novo modelo de transporte público que interligaria os municípios de São Luís, São José de Ribamar, Raposa e Paço do Lumiar. O BRT (Bus Rapid Transit ou Transporte Rápido por Ônibus)” seria “a maior obra de mobilidade urbana do Estado do Maranhão”, de acordo com a página dedicada ao projeto no site da MOB, mas não passou de promessas políticas.
Na época, para criticar a família Sarney, Flávio Dino soltou alguns deboches de seu arquivo. “Em breve veremos os efeitos positivos. Esse é um projeto que não é uma ilusão. Vai acontecer”, dizia o então governador Flávio Dino em maio de 2017, quando assinava a reestruturação da Avenida Litorânea, que faria parte do projeto.
O investimento inicial seria de R$ 140 milhões. No entanto, aumentou significativamente enquanto os trabalhadores que estavam realizando a obra encontravam dificuldades e os acidentes na Estrada do Araçagy aumentavam. Avia chegou a ganhar o desanimador apelido de “Estrada da Morte”, por conta das inúmeras vítimas de trânsito no local.
O trecho chamado Lote 01, que compreendia a extensão a partir das imediações do Viaduto Neiva Moreira, no acesso ao município de Raposa, até a Igreja Batista do Calhau, passando pelo Olho d’Água e Avenida Litorânea, foi o único concluído nesses cinco anos, embora não em sua totalidade.
Na região da orla marítima, a via permaneceu completamente ociosa, e a única linha de ônibus que a utilizava obrigatoriamente (Expresso do Trabalhador) foi descontinuada pela Agência de Mobilidade e Serviços Públicos (MOB).
Nenhum serviço foi realizado na Avenida dos Holandeses, cuja polêmica começou desde o planejamento. O projeto inicial previa que a via, com o metro quadrado mais caro de São Luís, se tornasse de sentido único (centro-bairro) para acomodar as duas pistas do BRT. Após protestos de moradores e empresários da região, decidiu-se que o BRT seguiria o modelo binário, indo em direção ao Centro pela Litorânea e retornando
pela Holandeses, ocupando uma faixa em cada via.
Com o abandono do projeto, não havia mais necessidade de manter uma faixa exclusiva que era desrespeitada em sua totalidade e causava transtornos diários a milhares de habitantes da Grande Ilha. Após a mobilização, especialmente dos moradores do Araçagy, o governador Carlos Brandão ganhou o “bônus político” de pôr fim a tanto sofrimento e derramamento de dinheiro público.
Por Marrapá
