O ex-prefeito de Urbano Santos-MA, Aldenir Santana Neves, condenado por decisão unânime da 5ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA), segue sob o que muitos classificam como “proteção divina” da presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, deputada Iracema Vale. Mesmo com extensa ficha judicial e passagens pela polícia, Aldenir foi recentemente flagrado por câmeras de segurança de um supermercado em São Luís em um encontro suspeito com o blogueiro Victor Landim — o mesmo que vazou conversas privadas do vice-governador Felipe Camarão. Em nota, Aldenir confirmou o encontro com Landim, mas disse que foi coincidência.
Ambos, Aldenir e Landim, carregam em seus currículos passagens marcadas por investigações, denúncias e condenações. O que intriga observadores políticos e parte da imprensa é como Aldenir Neves, mesmo condenado à devolução de R$ 3.457.665,83 aos cofres públicos e com os direitos políticos suspensos, continua circulando livremente pelos corredores da Alema — e, mais do que isso, sendo apontado como articulador direto no gabinete de Iracema Vale.
Segundo apuração do Portal G7, a aliança entre Iracema Vale e Aldenir Santana remonta a décadas, tendo se intensificado durante os primeiros atos da parlamentar como presidente da Casa Legislativa maranhense. Ainda em 2023, Iracema nomeou o ex-prefeito condenado como secretário do Gabinete da Presidência da Assembleia Legislativa. Após forte pressão da imprensa independente e de setores da sociedade civil, Aldenir pediu exoneração do cargo. Mas, apesar disso, ele nunca deixou, de fato, os bastidores do Poder Legislativo estadual em São Luís.
A relação entre Iracema Vale e seu ex-assessor, no entanto, não se limita à Assembleia. O Portal G7 apurou que Aldenir atua como uma espécie de mordomo político da presidente da Alema, supostamente responsável por articular nomeações de familiares e aliados da deputada em prefeituras do interior, especialmente nas cidades de Chapadinha e Urbano Santos. As suspeitas envolvem o pagamento de salários com recursos do Fundeb a parentes de Iracema que não exerceriam função real nas administrações municipais — o que caracteriza, em tese, prática de “funcionários fantasmas”.
Documentos exclusivos obtidos pela reportagem do G7 indicam que estão ou estiveram lotados em prefeituras ligadas a Iracema: Petronio Márcio Lima Vale (irmão da presidente da Alema), Hildemar Vale dos Santos (primo), Francilene Silva Lima (sobrinha da nora) e até familiares do empresário José de Jesus Amorim, considerado o mais influente em Urbano Santos. A reportagem completa sobre esses vínculos e supostos “laranjas” será publicada em formato especial neste final de semana.
Apesar das críticas, Iracema Vale chegou a reagir com dureza em 2023 às cobranças por transparência e coerência política, acusando jornalistas e blogueiros de “achacadores” e reafirmando sua confiança na ética da Assembleia. No entanto, o recente silêncio da parlamentar diante da exposição pública do histórico de Aldenir e sua proximidade com Victor Landim, hoje defendido por ela mesma, levanta sérias dúvidas sobre os critérios éticos adotados por sua gestão à frente do Legislativo.
Aos olhos da sociedade maranhense, permanece a pergunta: como alguém com múltiplas condenações, inclusive com trânsito em julgado, pode manter livre acesso ao centro do poder legislativo estadual? Pela legislação atual, Aldenir só poderia exercer função comissionada no Executivo ou Legislativo a partir de junho de 2029. Ainda assim, fontes bem posicionadas no Parque do Rangedor indicam que Neves não apenas seguiu atuando após a exoneração, como também teria se tornado o Office Boy da fiel aliada.
O Ministério Público, diante dos indícios apresentados, poderá ser provocado a investigar eventuais fraudes funcionais, improbidade administrativa e nomeações irregulares, tanto em prefeituras quanto na própria Assembleia Legislativa. Enquanto isso, os corredores da Alema seguem sendo palco de encontros suspeitos e alianças pouco transparentes — com Aldenir Santana Neves no centro da engrenagem.
O Portal G7 solicitou nota da Assessoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Maranhão, estabelecendo prazo de resposta de duas horas. Até o fechamento desta publicação, não houve retorno aos questionamentos enviados. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados, caso queiram se posicionar sobre o conteúdo abordado neste artigo.
