Passageiros que utilizam o sistema de ferryboat para a travessia entre São Luís e Alcântara enfrentaram longas horas de espera no terminal do Cujupe neste fim de semana, devido a problemas mecânicos na embarcação Cidade de Araioses, da empresa Servi Porto. A situação gerou transtornos, com atrasos superiores a 12 horas e centenas de veículos sem perspectiva de embarque imediato.
A crise no sistema de ferryboats não é recente. Em dezembro de 2020, durante a gestão do então governador Flávio Dino, o governo do Maranhão assumiu o controle de três embarcações da Servi Porto. Desde então, o serviço tem sido alvo de constantes reclamações devido à falta de manutenção e às condições precárias de operação. Apesar dos reajustes nas tarifas, a qualidade do serviço não melhorou, e a licitação prometida para regularizar o sistema ainda não foi realizada.
Com a saída de Dino do governo em abril de 2022, a responsabilidade passou para o atual governador, Carlos Brandão. Desde então, dois dos três ferryboats confiscados foram retirados de operação, restando apenas o Cidade de Araioses, que atualmente apresenta falhas técnicas. Para amenizar a situação, o governo trouxe duas embarcações do estado do Pará: o São Gabriel, da empresa Henvil, e o José Humberto, um ferryboat de 35 anos adaptado com contêineres para a travessia na baía de São Marcos. Entretanto, o José Humberto já foi devolvido ao Pará, e o São Gabriel segue operando de forma precária.
Neste domingo (30), a paralisação do Cidade de Araioses causou atrasos sucessivos nas viagens. No terminal do Cujupe, o último horário previsto para as 22h30 deixou cerca de 200 veículos sem embarque, o equivalente a duas embarcações lotadas.
Passageiros relataram atrasos de até três horas, com a justificativa da administração do terminal de que as condições da maré influenciaram a operação. Contudo, usuários questionaram a justificativa, argumentando que o terminal do Cujupe existe há quase 40 anos e sempre funcionou de acordo com a tábua de marés.
A situação levanta preocupações quanto à gestão do transporte aquaviário na região, evidenciando a necessidade de investimentos em manutenção e melhoria das embarcações para garantir a segurança e comodidade dos passageiros.
