Governador Brandão dá calote de quase R$ 2 milhões em donos de embarcações de Alcântara

Subsídio prometido em 2022 nunca foi quitado, embarcações foram sucateadas e empresários denunciam tentativa de retirada das linhas tradicionais para favorecer aliado político.

O Governo do Maranhão acumula uma dívida estimada em quase R$ 2 milhões com proprietários de barcos, lanchas e catamarãs que operam na travessia São Luís–Alcântara–São Luís. Os atrasos nos repasses do subsídio prometido pelo governador Carlos Brandão se arrastam desde 2022, segundo relatos dos próprios empresários do setor.

O subsídio foi criado no período eleitoral de 2022, quando o governo estadual autorizou a redução do valor das passagens com o compromisso de compensar financeiramente os operadores das embarcações. A medida, à época, foi anunciada como forma de beneficiar moradores de Alcântara e turistas. No entanto, os pagamentos não foram feitos de forma integral, gerando prejuízos acumulados ao longo dos últimos anos.

A crise no transporte não se restringe ao sistema rodoviário da Grande Ilha, onde empresas de ônibus denunciam atrasos e inadimplência. No transporte aquaviário, a situação é considerada ainda mais grave. Empresários afirmam que mantiveram o serviço com tarifa reduzida por meses, assumindo custos operacionais elevados, até que a falta de repasses tornou a operação financeiramente insustentável.

De acordo com apuração do Portal G7, a dívida passou por diferentes órgãos do governo estadual sem solução. Em fevereiro de 2023, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana (MOB), então presidida por Gilberto Lins, deixou valores em aberto antes da saída do gestor para assumir a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap). Na Emap, que passou a gerir o transporte aquaviário, os débitos também não foram regularizados.

Posteriormente, a MOB passou a ser comandada pelo ex-deputado Adriano Sarney, que herdou parte da dívida, mas igualmente não conseguiu resolver o impasse. Fontes ouvidas pela reportagem do G7 afirmam que o governo deve oito meses de repasses, sendo três meses atribuídos à MOB e cinco à Emap. Atualmente, a responsabilidade pelo transporte aquaviário estaria sob a Secretaria de Governo (Segov), que também não efetuou os pagamentos pendentes.

Sem receber o subsídio prometido, os empresários suspenderam, em janeiro de 2024, a operação com tarifa reduzida. O retorno ao valor integral da passagem evitou um colapso financeiro imediato, mas não foi suficiente para quitar dívidas acumuladas com fornecedores, manutenção das embarcações e pagamento de funcionários.

Além da inadimplência, empresários relatam preocupação com informações de bastidores. Segundo fontes bem posicionadas no Porto do Jacaré, em Alcântara, o governo estadual estaria articulando a entrada de uma lancha pertencente a um empresário aliado político para operar na travessia, o que poderia retirar as embarcações tradicionais da linha. A medida é vista como um agravamento da crise e um desrespeito aos operadores locais que aguardam há quase quatro anos o pagamento do subsídio.

Diante do cenário, há cobranças para que o Ministério Público, especialmente a Promotoria de Justiça de Alcântara, adote providências para cobrar do governador Carlos Brandão, o pagamento da dívida, que pejudica o funcionamento das embarcações e pode causar um colapso na travessia Alcantara/São Luís.

A reportagem do G7 tentou contato com a MOB pelo telefone informado em seu site oficial, mas não obteve resposta. A Emap também foi procurada por e-mail institucional e não se manifestou até o fechamento desta matéria. Ambos os órgãos seguem com espaço aberto para esclarecimentos.

Os proprietários das embarcações ouvidos pela reportagem preferiram não se identificar, por receio de retaliações. Segundo eles, desde novembro de 2025 há promessas recorrentes de pagamento de parte da dívida, que até agora não se concretizaram.

Foto: Reprodução/O Imparcial

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