Governador Brandão e a política da coação

Artigo escrito e publicado por João Filho - Jornalista, Radialista e Pesquisador

Nesta sexta-feira (8), o governador do Maranhão, Carlos Brandão, deu mais uma demonstração do método que tem adotado para conduzir a política no estado. Sua postura autoritária já é comparada à de figuras como Vitorino Freire e capitão José Castro. Humilha aliados, constrange adversários e vende a imagem de um “municipalista” que, na prática, não passa de retórica.

Na noite desta sexta, durante reunião no Palácio dos Leões com membros do Partido dos Trabalhadores (PT), Brandão fez o que, segundo críticos, é sua especialidade: coagir e incentivar a traição. Convocou exatamente aqueles que, sem rumo político definido, seguem qualquer direção — sobretudo quando movidos por promessas e benefícios pessoais. E se não mostrar fidelidade ao Coronel, dança sem música e não tem perdão!

A data e o horário do encontro não foram escolhidos por acaso. Coincidiram com o lançamento oficial da pré-campanha do vice-governador Felipe Camarão, realizado em Caxias, na região dos Cocais. O gesto foi interpretado como uma reação ao desgaste político de Brandão, agravado pela perda do PSB e pela declaração do presidente nacional do PT, Edinho Silva, que confirmou Camarão como o nome de Lula para disputar o governo do Maranhão. Para críticos, foi uma “armadilha” cuidadosamente montada para isolar o aliado e testar a lealdade dos petistas locais.

No Palácio, estavam apenas os “petistas” que orbitam sob o cabresto palaciano — preocupados mais em preservar seus cargos do que em seguir as orientações da cúpula nacional da legenda, que já manifestou apoio irrestrito a Felipe Camarão, transformando-o em projeto nacional do partido.

Com esse movimento de retaliação, Brandão sinaliza que está disposto a tudo para eleger seu sobrinho, mesmo que para isso arraste lideranças históricas do PT ao pântano do nepotismo. Um golpe duro contra um partido que, no discurso, prega igualdade e oportunidades para os mais necessitados.

A foto da reunião resume o cenário: rostos de quem pouco se importa com o povo, desde que seus pratos continuem fartos e protegidos pelos “Leões” famintos do Palácio. Leões que, nesta altura, não escolhem se o banquete será de carne ou de macaxeira — o importante é manter a pança cheia.

Sair da versão mobile