Desespero: Brandão teme perder aliados lulistas após PT nacional confirmar Felipe Camarão como pré-candidato ao governo do Maranhão
Governador teria convocado presidentes de partidos aliados para reunião antes do recesso de Natal.

As últimas 48 horas no Palácio dos Leões foram marcadas por tensões políticas. O governador Carlos Brandão (SEM PARTIDO) enfrenta desgastes internos desde que seu grupo decidiu romper com o campo dinista e lançou Orleans Brandão, seu sobrinho, como pré-candidato ao governo em 2026 — um nome considerado inexperiente inclusive por aliados tradicionais.
A situação se agravou após a Executiva Nacional do PT aprovar, no domingo (7), uma resolução definindo que o partido terá candidaturas próprias ao governo em oito estados em 2026. Entre eles está o Maranhão, onde o vice-governador Felipe Camarão foi apresentado como pré-candidato prioritário da sigla. A decisão alterou o tabuleiro político estadual e repercutiu diretamente na base governista.
Segundo fontes políticas próximas ao Palácio dos Leões, o anúncio nacional do PT provocou forte preocupação em Brandão, que já enfrenta ruídos familiares envolvendo divergências entre sua esposa, Larissa Brandão, e a cunhada, Audreia Noleto, casada com Marcos Brandão, pai de Orleans Brandão — figura decisiva nas articulações do governo. A conjuntura teria elevado a tensão interna no entorno do governador.

Diante do novo cenário, aliados relatam que Brandão deve reunir presidentes de partidos da base ainda antes do recesso de fim de ano para medir o grau de fidelidade dos aliados e avaliar quem permanece comprometido com seu projeto político familiar e quem pode migrar para a pré-candidatura de adversários, a exemplo do deputado Yglésio, que bebe água no Palácio dos Leões, mas vive em cima do muro visando 2026.
A principal preocupação do governador, conforme fontes ouvidas pela reportagem do G7, é a possibilidade de intervenção direta do presidente Lula, que poderia reordenar alianças, enfraquecer seu grupo político e até rever repasses ou prioridades de obras federais que têm sido apresentadas por Brandão como vitrine administrativa. O distanciamento recente entre o governador e o governo federal também tem sido motivo de apreensão.
Há, ainda, o temor de que a candidatura de Orleans Brandão não alcance competitividade suficiente. Segundo o governador Carlos Brandão durante um café da manhã na casa do prefeito Paulo Curió, em Turilândia, levantamentos internos apontariam desempenho aquém do esperado em regiões estratégicas como Baixada Maranhense, Tocantina e São Luís. Brandão teme que seu grupo não consiga levar o sobrinho ao segundo turno, abrindo espaço para uma unificação da oposição.
Entre interlocutores próximos, o governador teria atribuído parte da crise política e do isolamento crescente ao papel exercido por Marcos Brandão nas articulações do governo, além de demonstrar preocupação com a capacidade eleitoral do pré-candidato escolhido pelo grupo. Segundo Brandão, Marcus teria falhado, inclusive, nas articulações da eleição da Assembleia Legislativa e a candidata palaciana só venceu por conta da idade, já que o pleito ficou empatado duas vezes por 21 a 21.



