Na última sessão legislativa de 2025, deputados da base governista aprovaram, na Assembleia Legislativa do Maranhão, a autorização para que o governo Carlos Brandão contrate um empréstimo de R$ 300 milhões junto a uma instituição financeira internacional. A decisão, tomada em regime de urgência, gerou críticas da oposição e levantou questionamentos sobre o impacto do endividamento para o estado.
A aprovação ocorre em meio à criação e ampliação de programas sociais anunciados pelo governo estadual, classificados por críticos como ações de viés eleitoreiro, sobretudo diante da proximidade do calendário das eleições de 2026. Para a oposição, o Executivo estadual busca recursos para sustentar iniciativas de forte apelo popular, sem apresentar de forma clara a origem e a destinação dos recursos.
Parlamentares oposicionistas também apontam contradição no discurso do governo, que recentemente anunciou a distribuição de 217 caminhonetes a câmaras municipais, além de programas como o sorteio de motocicletas, distribuição de capacetes e isenção de IPVA para motos, e agora recorre a financiamento externo alegando necessidade de recursos para manter suas políticas públicas.
O deputado estadual Othelino Neto, líder da oposição na Assembleia Legislativa, manifestou-se contra a aprovação acelerada do projeto e criticou a falta de debate sobre a operação de crédito. “Todo projeto deve ser amplamente discutido. Os deputados precisam conhecer melhor os termos, as condições e os impactos desse endividamento. Mas o governador Carlos Brandão encaminhou a proposta e a base governista quer aprová-la no afogadilho”, afirmou Othelino Neto.
Outro ponto destacado pelo parlamentar é o momento da contratação do empréstimo, praticamente às vésperas de um ano eleitoral, o que, segundo ele, amplia o risco de utilização dos recursos para fins políticos. “Estamos falando de um empréstimo internacional de R$ 300 milhões contratado pelo governo do Maranhão. A pergunta que fica é simples: quem vai pagar essa conta? A resposta é clara: a população maranhense”, declarou.
Diante da aprovação, cresce a cobrança por transparência quanto à aplicação dos recursos. Contribuintes maranhenses questionam quais áreas serão beneficiadas, quais garantias foram oferecidas e de que forma o novo endividamento impactará as finanças de um estado que enfrenta problemas históricos, como filas na saúde, rodovias em situação precária, escolas com deficiências estruturais e baixos indicadores sociais.
Para a oposição, a autorização do empréstimo, sem detalhamento público do plano de aplicação dos recursos, reforça a necessidade de fiscalização rigorosa por parte da Assembleia Legislativa, dos órgãos de controle e da sociedade civil.
