Durante a votação desta quinta-feira (3) na Assembleia Legislativa do Maranhão, o deputado estadual Othelino Neto (SDD) fez um discurso forte e simbólico, no qual associou referências bíblicas e históricas às recentes traições políticas ocorridas no estado — especialmente ao rompimento do governador Carlos Brandão (PSB) com o legado do ex-governador Flávio Dino, hoje ministro do Supremo Tribunal Federal.
“Não seremos o Pôncio Pilatos desta legislatura. Não lavaremos as mãos diante da injustiça”, afirmou Othelino, em alusão à omissão de parte dos parlamentares diante do que ele classifica como um ato de ingratidão e traição política praticado por Brandão contra Dino.
A declaração de Othelino complementa a fala feita no dia anterior pelo deputado Rodrigo Lago (PCdoB), que já havia traçado paralelos bíblicos e históricos com a política atual do Maranhão. Na metáfora construída por Lago, Flávio Dino seria o “Cristo” injustiçado, enquanto Carlos Brandão, seu antigo aliado e sucessor, foi comparado a “Pedro” — o discípulo que nega; a “Judas” — o que trai; e por fim, a “Brutus” — o amigo que esfaqueia Júlio César pelas costas.
Othelino, por sua vez, evocou Pôncio Pilatos, figura bíblica conhecida por lavar as mãos e permitir a crucificação de Jesus Cristo, para criticar a omissão de colegas parlamentares diante do que classificou como “injustiça política em curso”.
“Temos lado. E esse lado é o da lealdade política e da coerência com a história que construímos neste estado ao lado de Flávio Dino. Não aceitaremos que, por conveniência ou covardia, outros tentem reescrever essa trajetória à base da traição e da manipulação”, declarou o deputado.
As declarações de Lago e Othelino apontam para um crescente mal-estar dentro da Assembleia Legislativa, especialmente entre os deputados que se dizem traídos pela condução política de Carlos Brandão após sua chegada ao poder, consolidada sem o apoio de antigos aliados e marcada por novas alianças com figuras antes criticadas pelo próprio grupo dinista.
Na metáfora construída pelos parlamentares da oposição, estão todos os personagens: o “Cristo” (Flávio Dino), os “Pedros” que negam, os “Judas” que traem, os “Brutus” que apunhalam, e os “Pilatos” que, mesmo com poder para intervir, optam pela omissão.
O clima na Alema mostra que, embora o governador ainda controle a maioria dos votos na Casa, o campo simbólico e o discurso político vêm sendo ocupados com contundência pela oposição — especialmente quando o assunto é lealdade, coerência e memória histórica.
