Parece até enredo de novela mexicana, mas é apenas mais um capítulo da política em Paço do Lumiar das últimas semanas. A cidade tem vivido dias turbulentos após o afastamento tempestativo da prefeita Paula Azevedo (PCdoB). Tudo começou quando Paula, com coragem rara em tempos de alianças fáceis, decidiu não apoiar o pré-candidato a prefeito Fred Campos, mesmo diante da pressão direta do Palácio dos Leões.
Quem não se lembra da emblemática foto de Paula Azevedo, Brandão e Zé do Posto de mãos dadas? A imagem que caiu como uma bomba, além de uma verdadeira cena de terror e show de hipocrisia, pareceu, também, um aviso mafioso: “ou você se alinha, ou sofrerá as consequências”.
O preço por não ceder ao sistema veio logo: Paula virou alvo. Meses após aquele registro, com o apoio irrestrito do Ministério Público Estadual que, em tese, deveria ser o “fiscal da lei” tomando como parâmetro, entre outros princípios, à Isonomia, Paula foi afastada do cargo por um processo envolto em segredo de justiça. O que mais precisa ser dito? A manobra foi tão óbvia que dispensa explicações.
Para dar um toque especial ao teatro, o prefeito tampão Inaldo Pereira, sempre opositor de Paula, mesmo sendo vice, assumiu o posto. Curiosamente, Inaldo, que sempre reclamou da falta de privilégios e salários exorbitantes, agora se mostra um grande assessor de Fred Campos, o queridinho do governo estadual. Na noite desta sexta-feira(14), durante a “luta” entre o deputado Yglesio Moisés e o empresário Alessandro Martins, no Ginásio Castelinho, em São Luís, numa dessas alianças que só a política sabe explicar, os dois estavam de ladinhos no ginásio Castelinho, em São Luís e Inaldo teria até servido água ao Zé do Posto, como se fosse o assessor especial do empresário.
Desde que assumiu, Inaldo tem se envolvido em polêmicas dignas de um manual de como não governar: nepotismo, exonerações em massa, nomeações de parentes de autoridades envolvidas no afastamento de Paula e, claro, aliados de Fred Campos, de quem ele passa a nítida impressão de ser, apenas, um verdadeiro pau mandado.
Tudo isso com um objetivo bem claro: puxando o saco de Zé do Posto para ter apoio em uma futura candidatura a deputado em 2026. Afinal, na política, tudo é questão de alianças e interesses, e Inaldo não iria perder a chance de garantir sua “boquinha” numa possível gestão de Zé do Posto.
