Bastaram apenas 48 horas após a denúncia publicada pelo jornalista Pedro de Almeida, no site A Carta Política, para que a Prefeitura de São Luís resolvesse recuar e suspender o polêmico edital de credenciamento para apresentações culturais no Mirante da Cidade sem pagamento de cachê aos artistas maranhenses.
Após a forte repercussão negativa provocada pela proposta considerada desrespeitosa e humilhante para músicos, bandas e grupos culturais locais, a prefeita Esmênia Miranda resolveu voltar atrás. A suspensão do edital foi anunciada nesta quinta-feira (14) pela Secretaria Municipal de Turismo (Setur), comandada por Saulo Santos, aliado político do ex-prefeito Eduardo Braide.
Na nota divulgada nas redes sociais, a Setur afirmou que a suspensão do Edital de Credenciamento nº 03/2026 ocorreu “considerando as manifestações da classe artística e da sociedade civil”. A pasta também declarou manter “compromisso com a valorização dos artistas locais” e tentou afastar qualquer relação entre a crise do edital e as exonerações realizadas recentemente dentro da secretaria.
A denúncia sobre o conteúdo do edital foi publicada na última segunda-feira (11) por Pedro de Almeida. A partir daí, o caso ganhou grande repercussão em diversos veículos de comunicação e provocou indignação entre artistas, produtores culturais, integrantes da classe artística e representantes do trade turístico da capital maranhense.
O edital previa apresentações musicais no Mirante da Cidade sem qualquer pagamento de cachê aos artistas selecionados. Além disso, a Prefeitura ainda transferia para os próprios músicos todos os custos operacionais, incluindo som, iluminação, transporte, montagem e demais despesas necessárias para realização dos shows.
Outro trecho que revoltou a classe artística foi a exigência de que músicos, bandas e grupos culturais deveriam contribuir “ativamente para a valorização e difusão da cultura local”, mesmo sem qualquer tipo de remuneração pelas apresentações.
A crise aumentou ainda mais após a própria Setur entrar em contradição. Depois da repercussão negativa, a secretaria tentou minimizar o caso afirmando que a proposta tinha como objetivo apenas “organizar e democratizar o acesso ao espaço para realização de eventos independentes”. No entanto, o próprio edital deixava claro que se tratava de uma programação cultural institucional da Prefeitura, com seleção pública, critérios culturais e metas voltadas à promoção turística e cultural da cidade.
Nos bastidores, a situação expôs ainda mais o desgaste da gestão Esmênia Miranda com a classe cultural maranhense, principalmente diante das denúncias de dívidas deixadas desde o São João 2025, aniversário da cidade, Réveillon e Carnaval 2026 envolvendo artistas e brincadeiras culturais locais.
Em meio à crise, a prefeita exonerou quatro servidores da Setur, embora tenha mantido Saulo Santos no comando da pasta. Na nota divulgada nesta quinta-feira, a secretaria afirmou que as exonerações fazem parte apenas de uma “reorganização administrativa interna” e que “não possuem relação direta com a repercussão envolvendo o edital”.
Por Pedro de Almeida (A Carta Política)
