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Após Braide não pagar artistas maranhenses, Prefeita Esmênia Miranda quer apresentações “0800” no São João 2026

Depois de artistas e grupos culturais ficarem sem receber cachês do São João 2025, aniversário da cidade, Réveillon e Carnaval 2026, gestão Esmênia Miranda lança edital sem pagamento para apresentações no Mirante da Cidade.

Tem coisas que só acontecem em São Luís. E durante a gestão de Eduardo Braide, esse tipo de situação parece ter virado rotina, principalmente depois da avalanche de propaganda e narrativas vendidas ao longo do mandato. Após deixar a Prefeitura de São Luís afirmando que entregou mais de R$ 2 bilhões em caixa, a máscara começou a cair quando veio à tona que, na mesma gaveta, também teria sido deixada uma conta bilionária para a nova gestão pagar.

Agora, outra situação revoltou artistas, músicos e fazedores de cultura maranhenses. Segundo denúncias que circulam nos bastidores culturais da capital, artistas e brincadeiras que participaram do São João 2025, do aniversário da cidade, do Réveillon e do Carnaval 2026 ainda estariam sem receber os cachês pelas apresentações realizadas durante a gestão Braide.

Com uma dívida milionária nas costas e dificuldades financeiras enfrentadas pela atual administração, a prefeita Esmênia Miranda tenta montar um São João 2026 praticamente no improviso. Mas o detalhe que chamou atenção foi justamente a tentativa de realizar apresentações “0800” — e, coincidentemente, apenas com artistas e grupos culturais maranhenses.

Nesta segunda-feira (11), o jornalista Pedro de Almeida publicou uma reportagem em seu site a Carta Política, mostrando que a Prefeitura de São Luís lançou um edital para apresentações musicais no Mirante da Cidade sem previsão de pagamento de cachê aos artistas selecionados.

De acordo com o documento divulgado, músicos, bandas e grupos culturais deverão “contribuir ativamente para a valorização e difusão da cultura local”, embora as apresentações sejam classificadas como voluntárias. Em outras palavras, a Prefeitura quer transformar o Mirante da Cidade em uma espécie de vitrine gratuita, como se artista vivesse apenas de visibilidade. Aí já é demais.

O edital foi lançado pela Secretaria Municipal de Turismo, comandada por Saulo Santos, sob o argumento de que a iniciativa pretende fortalecer a economia criativa, ampliar a visibilidade de artistas independentes e enriquecer a programação cultural do espaço. Apesar do discurso bonito, o próprio documento deixa claro: “não haverá pagamento de cachê para as apresentações”.

E não para por aí. Além de não pagar nada, a Prefeitura ainda joga toda a responsabilidade estrutural nas costas dos artistas. Os selecionados terão que arcar com som, iluminação, transporte, montagem e desmontagem dos equipamentos utilizados durante as apresentações.

Outro ponto que chama atenção é a contradição do próprio edital. Enquanto o discurso oficial fala em incentivo ao trabalho autoral e fortalecimento da cultura independente, os critérios de seleção priorizam repertórios ligados à música popular maranhense e manifestações culturais tradicionais.

Na prática, sobra para os artistas a missão de movimentar o turismo, fortalecer a identidade cultural da cidade, atrair público e manter vivo o espaço cultural do Mirante da Cidade — tudo isso sem receber um centavo sequer pelas apresentações.

O texto do edital ainda tenta justificar a ausência de pagamento afirmando que os músicos poderão ganhar “visibilidade” e futuras oportunidades profissionais ao participarem voluntariamente do projeto. Traduzindo para o português claro: trabalhem de graça agora e torçam para aparecer alguma oportunidade depois.

As apresentações estão previstas para acontecer às quintas-feiras, em duas edições por mês, entre junho e dezembro deste ano, no Mirante da Cidade, localizado no prédio da Secretaria Municipal da Fazenda, no Centro Histórico de São Luís.

Veja o edital na íntegra clicando no link AQUI

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