Dizem que quem nunca comeu mel, quando come, se lambuza. É exatamente o que parece ter acontecido com o governador Carlos Brandão (PSB), que, ao assumir o comando do Estado, passou a cometer equívocos graves na formação de seu governo — alguns deles com potencial de gerar sérias consequências jurídicas e políticas no futuro.
Para contemplar aliados e atender compromissos políticos, Brandão tem usado a caneta sem o menor constrangimento, nomeando condenados, inelegíveis e investigados para cargos estratégicos no primeiro escalão do Palácio dos Leões.
Entre os casos mais emblemáticos estão Sebastião Madeira e Rubens Pereira, dois secretários de confiança de Brandão. Ambos foram condenados pelo Tribunal de Contas e estão inelegíveis até 2031, mas ainda assim foram nomeados em abril de 2022.
A nomeação de gestores condenados fere frontalmente uma lei estadual aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pela ex-governadora Roseana Sarney, que proíbe a ocupação de cargos públicos por pessoas condenadas por improbidade administrativa ou irregularidades na gestão de recursos públicos. No entanto, a Assembleia Legislativa, que deveria fiscalizar o cumprimento da norma, se mantém em silêncio e acaba acobertando a ilegalidade.
Outro caso que chama atenção é o do ex-prefeito de Caxias, Fábio Gentil, recentemente alvo de uma operação da Polícia Federal. Mesmo sob investigação, Gentil foi agraciado com o cargo de Secretário de Agricultura e Pecuária do Maranhão, nomeado em abril de 2025, após articulação política da esposa, Daniela Tema Gentil, também citada nas apurações da PF.
Já a ex-prefeita de Santa Luzia, Francilene Paixão de Queiroz, conhecida como França do Macaquinho, foi outro “presenteado” político do governador Brandão. Condenada pela Justiça e acusada de desviar R$ 63 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores de Santa Luzia (IPRESAL), França teve os direitos políticos suspensos por oito anos, foi condenada a pagar multa e perdeu a função pública. Mesmo assim, foi nomeada em maio deste ano para a presidência da Agência Estadual de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (AGERP), após articulação do marido, Júnior França, atual prefeito e ex-deputado.
A situação expõe o que muitos chamam de “padrão Brandão de governar”: um governo que premia aliados com problemas judiciais, ignora leis estaduais e mantém um discurso público de moralidade que, na prática, não se sustenta.
Enquanto o Maranhão segue com graves problemas sociais, o primeiro escalão do Palácio dos Leões parece cada vez mais ocupado por figuras envolvidas em escândalos, condenações e investigações, transformando a gestão de Brandão em um retrato fiel do compadrio político que o povo maranhense tanto condena.
