Samir Xaud: o testa de ferro de Romero Jucá, José Sarney e Flávio Zveiter na CBF

Artigo escrito pelo jornalista João Filho - versão de um artigo do radialista e ex-governador Anthony Garotinho

Por que um ilustre desconhecido de Roraima foi aclamado presidente da bilionária Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no último domingo, 25 de maio? Samir Xaud, médico filiado ao MDB, protagonizou o improvável: uniu a cartolagem do futebol nacional em torno de um objetivo comum — afastar o então presidente Ednaldo Rodrigues.

Rodrigues, baiano, vinha se sustentando no cargo graças ao apoio do também baiano Rui Costa, ministro da Casa Civil no governo Lula, do senador Jaques Wagner, de partidos como o PCdoB e até de figuras de peso no Supremo Tribunal Federal, como o ministro Gilmar Mendes — que, inclusive, concedeu liminar permitindo sua volta ao comando da CBF após ser afastado pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro sob acusações de fraudes.

Novamente retirado do cargo pela Justiça fluminense, Ednaldo reconheceu a derrota nos bastidores e desistiu de disputar a presidência. Para ocupar a vaga temporariamente até a realização da nova eleição, foi escolhido Fernando Sarney — filho do ex-presidente José Sarney e controlador do Grupo Mirante, afiliado à Rede Globo no Maranhão.

Se os rios Solimões e Negro se encontram na Amazônia, política e futebol se abraçam, agora, no comando da CBF. O pai do novo presidente, Zeca Xaud, preside há quatro décadas a Federação de Futebol de Roraima e mantém amizade histórica com Romero Jucá, ex-senador e ex-líder de governos no Congresso, inclusive o de Sarney. Jucá, atualmente, atua como lobista em Brasília.

A relação entre as famílias Xaud e Jucá não é de hoje. Samir Xaud, mesmo com apenas 4.800 votos na última eleição em que disputou vaga na Câmara dos Deputados, reforçou esses laços. Detalhe: nenhum clube roraimense disputa sequer a Série C do Campeonato Brasileiro, mas agora a federação do estado com menor expressão no cenário nacional passará a comandar a entidade mais poderosa do futebol brasileiro.

A articulação teve ainda o apoio de Flávio Zveiter, outro nome que tentou sem sucesso chegar à presidência da CBF e que, agora, vê seus interesses representados por Xaud. Com o respaldo das famílias Sarney, Jucá e Zveiter, o médico roraimense tornou-se imbatível e assumirá o controle de um orçamento bilionário — R$ 2,25 bilhões em receitas estimadas.

O rompimento entre Ednaldo Rodrigues e Fernando Sarney foi decisivo para sua queda. o Dono da Mirante, que atua nos bastidores da CBF há quase 30 anos — desde os tempos do pai no poder —, sobreviveu a todas as gestões recentes: Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo e até Ednaldo, com quem rompeu após não integrar sua chapa na eleição anterior.

Diante desse panorama, é fácil concluir que o futebol brasileiro continua fora de campo — enfraquecido, dominado por interesses políticos e alheio à paixão do torcedor. Faltam mestres da bola e sobram pernas de pau — e, entre as peças desse jogo, Samir Xaud é apenas o testa de ferro de uma tríade poderosa: Romero Jucá, José Sarney e Flávio Zveiter.

Fonte: Blogue do Garotinho (Anthony Garotinho)

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