Maré virando: Fernando Sarney assume a CBF e coloca Antônio Américo na berlinda
A queda de Ednaldo Rodrigues da presidência da CBF escancara a força de Fernando Sarney — e pode ser o início do fim para Antônio Américo na FMF

A tempestade que caiu como bênção sobre Fernando Sarney ameaça virar um dilúvio político sobre Antônio Américo, presidente da Federação Maranhense de Futebol (FMF) desde 2011. Em mais uma demonstração de força dos bastidores, o clã Sarney mostrou que ainda tem o controle do apito — tanto na política quanto no futebol.
Tudo começou com a queda de Ednaldo Rodrigues do comando da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), após o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) anular o acordo que o mantinha no cargo. Com isso, quem assume interinamente é Fernando Sarney, o mais antigo dos vice-presidentes da entidade, agora com plenos poderes para conduzir novas eleições.
Por trás dessa reviravolta, há uma guerra velada que se arrasta desde a formação da atual diretoria da CBF. Fernando Sarney foi excluído da chapa de Ednaldo Rodrigues, decisão que, segundo fontes dos bastidores, teve o aval — ou até mesmo o dedo — de Antônio Américo, aliado de primeira hora do agora ex-presidente da CBF.
A exclusão de Fernando Sarney da mesa diretora foi o estopim para a crise que culminou na queda de Ednaldo. Insatisfeito e com apoio do pai, o ex-presidente da República José Sarney, Fernando recorreu até ao Supremo Tribunal Federal, embora sem sucesso. Mas foi o Judiciário estadual do Rio de Janeiro quem mudou o jogo — e agora, com a caneta na mão, Fernando Sarney pode virar o placar contra seus adversários.
E o Maranhão nessa história?
O impacto no futebol maranhense pode ser direto. Fernando Sarney, ressentido com a articulação que o tirou da diretoria da CBF, teria como um de seus principais alvos justamente Antônio Américo, que até então nadava de braçada no cenário esportivo local e nacional. Com a volta de Fernando à presidência, ainda que interina, o domínio de Américo na FMF pode estar com os dias contados.
Se a força política do ex-presidente Sarney foi suficiente para recolocar o filho no topo da CBF, não será difícil imaginar um novo comando para a FMF — especialmente se o Ministério Público Estadual adotar o mesmo rigor que usou em 2011, quando afastou Alberto Ferreira por má gestão.
A Fênix do futebol
Fernando Sarney, 70 anos, está na CBF desde 1998. Começou como diretor de Relações Governamentais na era Ricardo Teixeira e sobreviveu a todas as gestões seguintes. Em 2015, tornou-se membro do Comitê Executivo da FIFA por indicação de Marco Polo Del Nero, permanecendo até março de 2023, quando Ednaldo Rodrigues assumiu a vaga por indicação da Conmebol.
Fora da chapa de Ednaldo, Fernando rompeu com o aliado e passou à oposição. Com a anulação da eleição, ele volta ao jogo pela porta da frente — como o mais antigo da casa. A escolha respeita o regimento da entidade. Caso o critério fosse apenas por idade, o comando teria ficado com Rubens Lopes, presidente da Federação do Rio de Janeiro.
Agora, cabe a Fernando convocar novas eleições “o mais breve possível”. Resta saber se ele será apenas o maestro do processo ou se entrará em campo como candidato à presidência definitiva.
Fim da linha para Américo?
Antônio Américo, que há anos reina na FMF, pode ver seu castelo ruir. Seus aliados nacionais estão em baixa, e a proximidade com Ednaldo Rodrigues, agora derrubado, pode ser sua ruína. Quem celebrava salário de R$ 215 mil em cargos federativos terá que recalcular o orçamento — e talvez os passos.
A presença de Fernando Sarney na presidência da CBF é muito mais do que simbólica. É o retorno de uma família que conhece como ninguém os bastidores do poder — e que, pelo visto, ainda não pendurou as chuteiras.



