A recente entrevista do senador Weverton Rocha (PDT) ao Imirante foi amplamente criticada nesta sexta por petistas. Ao tentar se colocar como articulador de uma suposta “reunificação” do grupo lulista até junho, Weverton incorreu em erros que geraram imediata reação nos bastidores da política maranhense.
O principal deles: o senador do PDT maranhense tentou falar em nome da base do PT, partido ao qual não pertence e cujas instâncias seguem em caminho oposto ao mencionado pelo senador na entrevista. Weverton, que foi escanteado em 2022 , na época por Flávio Dino, agora tenta se infiltrar no grupo Brandão, político que foi preferência do comunista e que fez Weverton ser humilhado nas urnas.
A militância petista e lideranças históricas do partido no estado são enfáticas: a base do PT quer e defende a candidatura de Felipe Camarão ao Governo do Estado. Os poucos nomes do partido que articulam em sentido contrário são justamente aqueles que ocupam cargos na gestão Brandão, subordinando a ideologia partidária aos interesses do atual governador.
“Weverton não fala pelo PT. Aqui no Maranhão temos um presidente. Em nivel nacional, temos o presidente Edinho Silva. Weverton precisa é cuidar de sua candidatura, que corre o risco de fracassar mais uma vez nas urnas. Além disso, ele precisa resolver suas tretas nos bastidores. O que observamos é ele se humilhando para tentar entrar no grupo Brandão”, descreveu um histórico petista ouvido pelo G7.
Recentemente, Felipe Camarão reuniu mais de 150 assinaturas de presidentes municipais de seu partido em torno de sua candidatura. “A fala de Weverton possui diversos erros históricos. A fala dele tenta acalmar os brandonistas, mas ele não fala pelo partido, que já bateu martelo em torno de Felipe Camarão,” disse o prof. Nonato Chocolate, dirigente do PT de longa data.
A “preferência” de Lula
Outro ponto da reportagem bastante criticada é a afirmação de que Weverton seria o “nome de preferência” do presidente Lula para o Senado. Não há registros, áudios ou declarações públicas de Lula que sustentem essa tese. O que se sabe é que o desejo de Lula é que o governador Carlos Brandão dispute o Senado, ajudando a resolver o impasse sucessório criado pelo próprio grupo palaciano.
A história de que Weverton seria o “queridinho” do Planalto não resiste à memória eleitoral. Em 2022, Lula não apoiou Weverton para o governo e manteve-se fiel à aliança com Flávio Dino. Agora, com Felipe Camarão (PT) consolidado como o nome natural para o governo com as bênçãos do PT nacional, a tentativa de Weverton de se vender como o favorito do presidente soa como uma estratégia de sobrevivência política sem amparo na realidade.
Quem realmente atrapalha o palanque de Lula?
Ao contrário do que sugere o senador, quem hoje prejudica a montagem de um palanque forte para Lula no Maranhão é a família Brandão, ao insistir em um projeto oligárquico em torno de Orleans Brandão. Esse foi responsável por atropelar o acordo firmado em 2022.
É importante lembrar que a atual confusão no grupo foi plantada pelo próprio Weverton quando rompeu com o então governador Flávio Dino para disputar a eleição contra o candidato oficial. Agora, ao tentar surgir como “pacificador” e porta-voz de Lula e do PT, o senador parece esquecer que a coerência política é o que define a confiança do eleitor e do próprio Palácio do Planalto.
