A possível negativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em apoiar a candidatura de Orleans Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão, provocou uma corrida desenfreada nos bastidores do Palácio dos Leões. Desconhecido da população, sem expressão política e incapaz de mobilizar lideranças, Orleans enfrenta dificuldades para engajar aliados e, sobretudo, para transmitir confiança. Sua falta de desenvoltura em discursos tem sido alvo de comentários constantes e alimentado dúvidas sobre a consistência de sua pré-campanha, marcada por erros estratégicos desde o início.
Diante desse cenário, o núcleo político da família Brandão intensificou esforços — e gastos — para tentar viabilizar o projeto eleitoral do herdeiro. Segundo aliados, principalmente aqueles que chegaram ao Palácio após a vitória de 2022, a pressão aumentou nas últimas semanas, justamente quando ficou evidente que Orleans não consegue caminhar sozinho.
Prefeitos, vereadores e lideranças locais passaram a relatar ligações, recados e até ameaças supostamente oriundas do Palácio, numa ofensiva considerada incomum mesmo para os padrões da política maranhense. A meta seria criar uma sensação artificial de força, tentando compensar a ausência de aderência espontânea ao nome do pré-candidato.
A principal inquietação de Marcus Brandão, pai de Orleans e articulador do grupo, é chegar dezembro com uma candidatura completamente fragilizada pela falta de conteúdo e de lastro eleitoral. Na ânsia de demonstrar força, a família tem multiplicado sinais de insegurança, enviando ao MDB nacional e a partidos aliados a mensagem oposta à pretendida: a de que o projeto não se sustenta. A realização de uma “convenção improvisada” para reunir apoiadores do interior, por exemplo, foi vista por muitos como uma tentativa apressada de demonstrar musculatura.
Outro movimento que causou estranheza foi a divulgação de pesquisas em que Orleans aparece na liderança, mesmo sendo um pré-candidato desconhecido e sem histórico público que justifique tamanha performance. Para analistas e lideranças políticas, o episódio soou como um tiro no pé — ou, como dizem nos corredores de Brasília, “meteram o pé na jaca”. No cenário nacional, o gesto foi interpretado como falta de preparo político; no estadual, como ato de intimidação e desespero.
A expectativa é de que, nos próximos meses, a máquina pública continue sendo utilizada de forma intensa para tentar sustentar a pré-candidatura. Entretanto, quanto mais se investe em criar uma onda artificial, mais evidente se torna a fragilidade de um projeto que nasceu sem base real.
Não fosse o programa “Cartão Maranhão Livre da Fome”, que vem sendo associado diretamente à pré-campanha, Orleans seria ainda mais apagado. No campo político, seu desempenho lembra o de um jogador Sub-20 que, colocado entre os profissionais, ainda não consegue demonstrar maturidade ou capacidade para o jogo.
