MARANHÃO

Posição do PT nacional pró-Felipe Camarão complica planos de poder da família Brandão

Brandão também reconhece que, para fazer funcionar o “peso dos Leões”, precisa estar alinhado ao Planalto — assim como fez o grupo Sarney

Enquanto o governador Carlos Brandão se articula para garantir um acordo que viabilize a candidatura do sobrinho, Orleans Brandão — apelidado nos bastidores de “Bebê Reborn” —, o cenário em Brasília trouxe um movimento que atrapalha diretamente os planos do Palácio dos Leões. O PT nacional, sob orientação direta do presidente Lula, prepara-se para priorizar Felipe Camarão na disputa pelo Governo do Maranhão.

De acordo com fontes bem posicionadas no Palácio do Planalto, Lula já teria avisado a Brandão que não pretende apoiar Orleans em uma eventual candidatura ao governo. Mais que isso: teria pedido ao governador que atuasse para pacificar o grupo que disputou as eleições de 2022, hoje rachado entre brandonistas e dinistas. O próprio Lula reforçou essa estratégia em entrevista recente à TV Mirante.

Brandão sabe do impacto que uma posição do PT tem em qualquer eleição estadual no Maranhão, onde Lula ultrapassa historicamente os 80% dos votos. O governador também reconhece que, para fazer funcionar o “peso dos Leões”, precisa estar alinhado ao Planalto — assim como fez o grupo Sarney, de onde ele herdou grande parte da sua inspiração política e modus operandi.

Com a informação de que Felipe Camarão está entre os oito pré-candidatos prioritários do PT no país, Brandão deve reunir sua cúpula familiar para recalcular a rota. O movimento é urgente: sem o apoio do PT, a família Brandão dificilmente conseguirá viabilizar não apenas uma candidatura ao Governo do Estado, mas também projetos paralelos, como a disputa pelo Senado.

Nos bastidores, a situação é considerada ainda mais delicada. Durante um café da manhã na casa do prefeito Paulo Curió, em Turilândia, Brandão teria confessado a aliados que as pesquisas não ajudam o projeto Orleans, sobretudo em São Luís, na Baixada Maranhense e na região Tocantina. Brandão teria dito, inclusive, que poderia repetir o gesto de Luciano Genésio — trocar o nome do candidato —, mas sem revelar qual seria o “plano B” da família.

O fato é que, por onde Orleans passa, os eventos só ganham público graças às caravanas enviadas por prefeitos aliados, em atendimento a uma exigência do Palácio dos Leões para inflar artificialmente a presença popular. Sem mobilização forçada, a “pré-campanha” simplesmente não decola.

Com o PT nacional fechando questão em torno de Felipe Camarão, a engrenagem construída pela família Brandão começa a ranger — e pode não resistir à pressão combinada de baixa popularidade, falta de apoio federal e disputa interna pelo comando do grupo político.

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