Funcionários da Internacional Marítima, empresa responsável pela operação do transporte aquaviário entre São Luís e a Baixada Maranhense, denunciaram um suposto esquema de privilégios no embarque de veículos nos terminais de Cujupe (Alcântara) e Ponta da Espera (São Luís). Segundo eles, servidores e aliados políticos do governo Carlos Brandão estariam utilizando um ofício assinado pela Secretaria de Governo (SEGOV) para furar fila e embarcar sem enfrentar as longas horas de espera impostas aos usuários comuns.
O Portal G7 vai preservar a identidade dos denunciantes por questões de segurança e para evitar retaliações à empresa Internacional Marítima.
Denúncias recorrentes desde abril
Problemas envolvendo embarques irregulares e a chamada “fila prioritária”— usados fora das regras de embarque, já haviam sido relatados desde abril deste ano pelo Portal G7. Há casos de passageiros com passagem comprada não conseguiram embarcar no horário previsto e foram obrigados a aguardar ferryboats extras devido à entrada de veículos sem bilhete, autorizados de maneira excepcional, autorizados sabe-la por quem.
Os funcionários afirmam que o episódio desta terça-feira (25) extrapola a situação habitual e aponta para um esquema organizado com aval de órgãos do próprio governo estadual.
Uso de ofício para embarque sem bilhete
De acordo com os relatos, veículos ligados ao governo estadual e a políticos aliados estariam embarcando sem passagem, portando um ofício assinado pela SEGOV que determinaria à Internacional Marítima a liberação imediata dos carros. O caso, inclusive, estaria rompendo os princípios da empresa, que sempre prezou pelo respeito aos clientes.
Os denunciantes relatam que, em alguns casos, veículos que chegaram aos terminais sem qualquer bilhete teriam sido embarcados à frente de usuários que aguardavam havia cerca de 12 horas na fila de espera.
Eles afirmam ainda que a Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap) teria ciência da prática e não teria atuado para coibir o procedimento.
Repercussão e questionamentos
Nas redes sociais, usuários relataram indignação com o suposto privilégio dado a servidores e aliados do governo Brandão. Segundo as denúncias, enquanto moradores da Baixada Maranhense enfrentam até 24 horas de espera para conseguir embarcar, veículos adesivados com logos do governo e de prefeituras parceiras estariam atravessando os portões sem qualquer controle regular e obrigando as empresas de ferryboat a embarcar carros usando ofícios da SEGOV.
A prática, se confirmada, pode configurar abuso de autoridade, desvio de finalidade administrativa e burla às normas de operação do sistema de ferryboat. Os denunciantes defendem que o Ministério Público do Maranhão investigue o caso, diante da ausência de manifestação da Assembleia Legislativa em outros episódios semelhantes envolvendo a gestão estadual.
Impacto na credibilidade do serviço
Funcionários da Internacional Marítima afirmam que o esquema põe em risco a credibilidade da empresa, que seria obrigada a cumprir determinações consideradas irregulares. Segundo eles, a pressão para liberar veículos privilegiados fere o fluxo normal do embarque e expõe trabalhadores e passageiros a conflitos.
Até o momento, SEGOV, Emap, MOB e Governo do Maranhão não se manifestaram publicamente sobre as denúncias.
